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Jacu é aliado na produção de cafés

Saiba o caminho até a xícara


Foto: Divulgação

Quando os cafés maduros enchem de cor as lavouras, eles também atraem um visitante ilustre da Mata Atlântica: o jacu. Considerado por muitos produtores um "ladrão" de café, a ave é, na verdade, responsável por um dos produtos mais exclusivos e valorizados do mundo.

Produzido a partir dos grãos eliminados nas fezes do pássaro, o Café do Jacu pode custar até R$ 1.500 o quilo. Em Araponga, nas Matas de Minas, a cafeicultora Kátia Martins aposta na iguaria há três anos e mudou a forma de enxergar a presença da ave na propriedade. "Alguns veem o jacu como inimigo, eu o vejo como sócio", afirma.

A produção anual é de 30kg e foi potencializada com a união de dez mulheres da região, que passaram a coletar os grãos e vendê-los para Kátia. "Formamos uma espécie de associação. Todas ganhamos. É uma maneira de garantir que elas tenham seu próprio dinheiro, em uma troca justa”, afirma.

Segundo o supervisor do ATeG Café+Forte, Daniel Prado, o elevado valor do produto está ligado ao processo trabalhoso e à exclusividade dos lotes. "A coleta precisa ser feita com rapidez, e o pós-coleta exige cuidado para evitar a proliferação de fungos que possam comprometer a qualidade do café", explica.

Caminho até a xícara

O jacu alimenta-se apenas dos frutos mais maduros. Em seu sistema digestivo, apenas a polpa é aproveitada, enquanto os grãos permanecem intactos. Kátia explica que depois de recolhidos, eles passam por higienização, secagem, beneficiamento e torra. O resultado é uma bebida de sabor sofisticado, sem amargor, com acidez equilibrada e notas adocicadas, florais e frutadas.

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