Sabor e qualidade dos cafés do Cerrado Mineiro
Café do Cerrado Mineiro se destaca em prêmio de qualidade por manejo e terroir
Foto: Pixabay
No Cerrado Mineiro, altitude, clima e conhecimento se encontram para dar origem a cafés reconhecidos pela qualidade e pela identidade. A região, primeira Denominação de Origem para café reconhecida no Brasil, tem como características os verões quentes e úmidos, os invernos amenos e secos e altitudes superiores a 800 metros. Esses fatores importantes para uma maturação mais uniforme dos frutos e para a formação de cafés com perfis sensoriais marcantes.
É essa diversidade de sabores e a excelência dos produtores da região que chega, em agosto, ao Meu Café no Sistema Faemg Senar. O café servido neste mês é um blend especial, elaborado a partir de diferentes amostras de alta qualidade recebidas e avaliadas no Cupping 2025, representando a força da cafeicultura do Cerrado Mineiro.
Entre os produtores que se destacam na premiação está Alaercio José Borges, de Coromandel, vencedor do primeiro lugar na categoria Natural. Produtor de café há 22 anos, ele iniciou a atividade em 2005, quando, com a esposa Andreia Aparecida, e o apoio do sogro, implantou os primeiros três hectares em uma área arrendada no sítio do pai. Desde então, a família vem ampliando os conhecimentos e buscando melhorias para os trabalhos.
Uma história construída em família
A cafeicultura faz parte da história da família. Andreia já tinha experiência no setor antes de Alaercio iniciar a atividade, e, atualmente, cada membro contribui de alguma forma para a produção. O filho do casal conseguiu o trabalho no terreiro e na divisão do café, sob orientação da mãe.
Para Alaercio, a busca pela qualidade passa por aprender e aperfeiçoar cada etapa da produção. “Dando o melhor de si em cada safra, buscando sempre melhorias na produção, secagem adequada no terreiro, formas de armazenamento até o consumo final”, relata o produtor.
Na Fazenda Pântano, onde a família produz café, a lavoura está a 1.027 metros de altitude, no município de Coromandel. A propriedade é enquadrada como agricultura familiar e está inserida na região do Cerrado Mineiro, que possui Indicação Geográfica reconhecida. O café premiado é da espécie Arábica, da safra 2025, com processamento natural.
A relação entre território e qualidade é um dos diferenciais dos cafés do Cerrado Mineiro. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a região reúne condições climáticas favoráveis ao cultivo do café arábica e apresenta cafés com aromas que podem variar de caramelo a nozes, além de acidez delicadamente cítrica e sabor de chocolate.
No caso da amostra premiada de Alaercio, o laudo sensorial aponta características como frutas cítricas e tropicais, caramelo, doce de leite, mel, melaço, papaia, pêssego, amêndoas, avelã e baunilha, além de corpo doce e estruturado e finalização agradável. A amostra também recebeu notas máximas em uniformidade e xícara limpa.
Qualidade começa muito antes da xícara
Para o produtor, o resultado de uma boa bebida depende de atenção em toda a cadeia. Entre os cuidados destacados estão a colheita de frutos com maturação uniforme, o revolvimento frequente do café no terreiro e o acompanhamento da secagem para garantir a umidade adequada.
“Os fatores mais importantes que contribuem para uma bebida excelente envolvem cuidados que começam na lavoura e seguem até o café torrado e moído”, explica Alaercio. Ele também destaca a importância do manejo adequado, considerando as condições climáticas, além de práticas como adubação, pulverização, controle de plantas daninhas e cuidados de pré e pós-colheita.
Nesse processo, o acompanhamento do ATeG Café+Forte tem contribuído para o aprimoramento da produção. Alaercio e a esposa participam do programa e destacam a importância do conhecimento e das orientações recebidas para a condução da lavoura e a busca contínua por melhorias.
O produtor reconhece especialmente o trabalho dos técnicos que acompanharam a família. Bruno Amâncio é o atual técnico de campo, enquanto Karla Rosa esteve no acompanhamento inicial. Para Alaercio, a assistência técnica contribui para ampliar o conhecimento e transformar o aprendizado em melhorias na propriedade.
“Dando o melhor de si em cada safra, procurando sempre melhorias na produção, secagem adequada no terreiro, formas de armazenamento até o consumo final”, resume o produtor ao falar sobre o cuidado necessário para alcançar uma bebida de qualidade.
O reconhecimento no Cupping 2025 reforça esse trabalho. Na categoria Natural, o café produzido por Alaercio alcançou o primeiro lugar no Cerrado Mineiro. No mesmo ano, segundo o produtor, a família também esteve entre os cafés de destaque da SMC, com o selo de “especialíssimo”.
Para o futuro, a família Reis & Borges pretende continuar investindo na cafeicultura, ampliar as atividades e buscar métodos cada vez mais eficientes, sem deixar de lado os cuidados com o meio ambiente. “Nosso objetivo é melhorar cada dia mais no ramo da cafeicultura”, afirma Alaercio.
Assim, a história do produtor se conecta à proposta do Meu Café no Sistema Faemg Senar em agosto: apresentar a diversidade e a qualidade dos cafés do Cerrado Mineiro a partir de um blend especial formado por diferentes amostras de alta qualidade avaliadas no Cupping 2025, ao mesmo tempo em que dá visibilidade aos produtores que se destacam na premiação.