Cecafé participa de reunião no MPor sobre Monitoramento da Saturação Portuária
Cecafé debate ferramenta para monitorar saturação e gargalos dos portos
Foto: Divulgação
GT debaterá ações para implantação da ferramenta MSP, que visa diagnosticar situações de saturação da capacidade portuária e de seus acessos com base na análise da demanda projetada com a capacidade existente
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, ontem, 3 de setembro, no Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em Brasília (DF), junto a outras entidades do setor privado e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), de reunião do Grupo de Trabalho (GT) para implantação do Monitoramento da Saturação Portuária (MSP).
Sob condução da Secretaria Nacional de Portos (SNP), a iniciativa tem o objetivo de identificar gargalos de infraestrutura em portos organizados e instalações portuárias autorizadas, a oferta de capacidade adequada de terminais privados e de acessos portuários terrestres e aquaviários, pelas perspectivas da quantidade e da qualidade do nível de serviço, por grupo de carga ou de produto, ao longo do horizonte de planejamento do Plano Nacional de Logística (PNL).
De acordo com o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, que representou a entidade no encontro, a implementação do MSP surge da necessidade de existirem informações acuradas e confiáveis para nortear decisões, investimentos e o planejamento do setor portuário.
“O MSP se apresenta, em seu escopo inicial, como uma ferramenta de mapeamento de gargalos e planejamento setorial de Estado, ouvindo as entidades do setor privado, que representam os usuários dos portos e conhecem a realidade portuária e seus entornos. A intenção é comparar a demanda projetada com a capacidade existente, de forma que se diagnostique, antecipadamente, situações de saturação da capacidade portuária e dos acessos pelos modais rodoviário e aquaviário, visando nortear as ações de governo e os investimentos”, explica.
Também presente na reunião, o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transportes e da Logística (Logística Brasil), André de Seixas, completa que a ferramenta deverá trabalhar com três elementos: previsão de demanda, cálculo de capacidade e indicadores de nível de serviço.
“Seu escopo compreende acessos aquaviários, terminais portuários e acessos terrestres, considerando portos organizados e Terminais de Uso Privado (TUPs) de forma sistêmica. Entre as entregas previstas estão o balanço entre demanda e capacidade dos complexos portuários, a criação de um painel de indicadores de nível de serviço e a definição da metodologia e dos dispositivos necessários à aplicação do MSP, sendo previstas publicações anuais, entre 2027 e 2030, com aperfeiçoamento progressivo da metodologia”, comenta.
Ele adiciona que a iniciativa se apoia em premissas de tempestividade, transparência, objetividade, confiabilidade, visão sistêmica e aprimoramento contínuo.
“Espera-se que seus resultados subsidiem políticas públicas e decisões de investimento, contribuam para a prospecção de investimentos privados, racionalizem os instrumentos de planejamento existentes e apoiem processos relacionados à gestão e à expansão da infraestrutura portuária”, projeta.
Heron recorda que a implantação do MSP está em linha com os anseios que o Cecafé, em parceria com outras entidades do setor privado, apresentou como prementes aos órgãos públicos em reuniões realizadas nos últimos anos.
“É muito importante mapear os gargalos logísticos e os níveis de serviços portuários para que as autoridades públicas busquem medidas para mitigar riscos e estancar os prejuízos causados aos diversos setores do comércio exterior do país, bem como o Cecafé vem demonstrando, ao longo dos anos, os impactos que o esgotamento da infraestrutura portuária gera aos exportadores de café”, diz.
O diretor técnico do Cecafé lembra que, visando demonstrar o cenário logístico e os impactos do seu estrangulamento para as autoridades públicas com base em estatísticas críveis, a entidade desenvolveu, em parceria com a ElloX Digital, o Boletim Detention Zero (DTZ), ainda em 2023.
Foi através dessa ferramenta privada, por exemplo, que o governo federal passou a ter acesso a informações – até então desconhecidas por estarem mascaradas pelos recordes da exportação – que revelaram a defasagem na infraestrutura dos principais portos brasileiros, com 55% dos navios enfrentando atrasos ou alterações de escalas na média mensal de 2025, o que fez com que cerca de 602 mil sacas — 1.824 contêineres — de café deixassem de ser exportadas a cada mês no ano passado.
“Esse contexto revelou a falta da capacidade de pátio e berço nos portos, que elevam os índices de atrasos das embarcações, as recorrentes alterações de escalas dos navios e, por consequência, rolagens de cargas, lotação de pátios e filas de caminhões, as quais ocasionaram um prejuízo de R$ 66,1 milhões aos exportadores associados ao Cecafé, no acumulado de 2025, devido a custos extras com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, explica.
“Portanto – conclui Heron –, a implementação do MSP, sob condução do MPor e contribuições técnicas das entidades do setor privado, pode ser um passo importante para a urgente adequação do sistema portuário e de seus acessos à realidade do comércio exportador do Brasil. A sinergia público-privada será fundamental para o êxito do planejamento logístico do país e a disponibilidade de infraestrutura logística portuária condizente com a pujança de setores como o agro, em especial o café”.