China amplia investimentos produtivos no exterior
O investimento estrangeiro direto recebido pela China caiu 10% em 2025
O investimento estrangeiro direto recebido pela China caiu 10% em 2025 - Foto: Pixabay
O movimento global de capitais mostra uma mudança relevante no papel da China, com avanço dos investimentos produtivos no exterior ao mesmo tempo em que o país recebe menos recursos estrangeiros. Segundo análise de André Galhardo Fernandes, com base no World Investment Report 2026 da UNCTAD, esse contraste ajuda a explicar por que as tensões comerciais tendem a permanecer no cenário internacional.
O investimento estrangeiro direto recebido pela China caiu 10% em 2025, para US$ 104,7 bilhões, valor 45% inferior ao pico registrado em 2022. Os anúncios de projetos greenfield destinados ao mercado chinês recuaram ainda mais, com queda de 43,4%, para US$ 23,9 bilhões.
Na direção oposta, empresas chinesas anunciaram US$ 131,9 bilhões em projetos greenfield no exterior, crescimento de 56,8% sobre 2024. O estoque de investimentos chineses fora do país também avançou 14%, alcançando US$ 3,58 trilhões. Os números indicam que o capital produtivo ligado à China está avançando no exterior em ritmo superior à entrada de novos investimentos no país.
Nesse cenário, o México voltou ao grupo dos dez maiores destinos globais de investimento, recebendo US$ 41 bilhões em 2025. O país tem se destacado na atração de projetos industriais relacionados à reorganização das cadeias produtivas e à proximidade com o mercado dos Estados Unidos.
Os dados oficiais mexicanos, porém, mostram apenas US$ 2,3 bilhões líquidos provenientes da China entre 2017 e 2024. Estimativas privadas apontam valores maiores, diferença associada ao uso de afiliadas offshore, que pode fazer o capital aparecer nas estatísticas como originário de outros países.
A combinação desses movimentos sugere uma realocação produtiva que nem sempre é captada integralmente pelas estatísticas oficiais. A expansão chinesa no exterior, sobretudo em setores estratégicos e industriais, reforça a perspectiva de continuidade das disputas comerciais nos próximos anos.