Estratégias ganham peso em mercado de trigo mais firme
Aos moinhos, a orientação é não postergar totalmente as compras
Aos moinhos, a orientação é não postergar totalmente as compras - Foto: Canva
O mercado do trigo entra em uma fase de maior atenção às estratégias de comercialização, diante de fundamentos que favorecem preços firmes e aumentam o risco de novas altas. Segundo análise da TF Agroeconômica, produtores, cooperativas, cerealistas, moinhos e exportadores devem ajustar suas decisões ao cenário de oferta mais apertada e de incertezas logísticas no Mar Negro.
Para os produtores, a recomendação é evitar acelerar excessivamente as vendas, já que o ambiente permanece favorável à busca por melhores preços, especialmente se persistirem os problemas na região do Mar Negro e se a safra brasileira confirmar uma oferta significativamente menor. Cooperativas e cerealistas, por sua vez, devem manter cobertura parcial das necessidades e observar oportunidades de compra em eventuais realizações de lucro nas bolsas.
Aos moinhos, a orientação é não postergar totalmente as compras. O risco de novas altas cresceu após o relatório do USDA, que reduziu a produção norte-americana ao menor nível desde 1970/71 e também cortou os estoques mundiais, além da escalada das tensões no Mar Negro. A recomendação é alongar parte da cobertura, sem perder flexibilidade para aproveitar eventuais correções. No Brasil, a alta dos preços da safra nova, de R$ 1.400 para R$ 1.500 no Paraná, é tratada como sinal de alerta.
Para os exportadores, a indicação é acompanhar de perto os prêmios internacionais, pois novas interrupções nas exportações russas ou ucranianas podem fortalecer esses diferenciais e abrir oportunidades comerciais. A leitura geral permanece de alta moderada, com fatores altistas superando as pressões de baixa e expectativa de preços firmes enquanto não houver melhora relevante no quadro geopolítico ou aumento expressivo da oferta mundial.