Mercado de trigo enfrenta baixa liquidez no Sul
A sobra de sementes também exerce pressão sobre as cotações
A sobra de sementes também exerce pressão sobre as cotações - Foto: Seane Lennon
O mercado de trigo no Sul do país segue marcado por baixa liquidez, pressão sobre os preços e diferenças regionais entre oferta, demanda e andamento da nova safra. Segundo a TF Agroeconômica, no Rio Grande do Sul os moinhos estão reduzindo a moagem, enquanto a procura por lotes permanece fraca e a oferta mostra regularidade.
A sobra de sementes também exerce pressão sobre as cotações, com negócios em torno de R$ 1.250 por tonelada e lotes de trigo entre R$ 1.300 e R$ 1.320. A farinha encontra resistência a reajustes, e volumes expressivos já negociados entre R$ 1.350 e R$ 1.380 ajudam a limitar novas altas. O trigo argentino em Canoas recuou para US$ 275 por tonelada, enquanto moinhos relatam problemas de qualidade no fim dos estoques locais, especialmente pelo elevado teor de DON.
Para a próxima safra, há receio com custos elevados, preços achatados, risco climático e qualidade. Cooperativas do centro e noroeste gaúcho mencionam possível redução de até 40% na área, ainda sem confirmação oficial. A Emater-RS estima produção próxima de 2,2 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões a 4 milhões na temporada anterior, com déficit projetado de cerca de 1,9 milhão de toneladas. A semeadura alcançou 87% da área prevista.
Em Santa Catarina, vendedores seguem retraídos à espera de preços melhores, enquanto no Paraná os valores da safra velha permanecem estáveis e as indicações para a safra nova avançam. Moinhos paranaenses ampliam compras de trigo do Paraguai em busca de qualidade e volume, ao mesmo tempo em que o excesso de umidade no Oeste e Sudoeste aumenta a pressão de doenças nas lavouras.