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Lã ganha sistema para monitorar qualidade da produção

Plataforma permite comparar produção entre regiões


Foto: Divulgação

A qualidade da lã ganha uma nova ferramenta de acompanhamento com o Sistema de Informação da Lã Argentina (SILANA), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e pelo Conselho Agrário de Santa Cruz. A plataforma reúne análises de laboratórios têxteis e permite aos produtores comparar indicadores de seus lotes com os resultados da região e da safra anterior.

A finura e o rendimento de um lote de lã são parâmetros importantes para os produtores e para toda a cadeia industrial ligada à ovinocultura. Durante a colheita, milhares de produtores enviam amostras para laboratórios têxteis com o objetivo de determinar a qualidade da produção.

O SILANA transforma essas análises individuais em informações estratégicas. A plataforma web integra dados provenientes da rede pública de laboratórios têxteis e permite acompanhar os principais indicadores de produção à medida que a tosquia avança. “Cada análise nos permite conhecer a qualidade de um lote de lã, mas essa informação individual, por si só, não era suficiente para entender o desenvolvimento da colheita em uma província ou região. Para isso, é necessário algo mais, uma ferramenta que integre as análises de qualidade da lã e as transforme em informação coletiva”, destacou Ezequiel Gonzalez, especialista e um dos desenvolvedores do sistema na Estação Experimental Agropecuária do INTA Bariloche.

Até então, as informações geradas pelos serviços estratégicos do INTA não contavam com uma ferramenta para esse tipo de aproveitamento. Com o SILANA, os usuários podem consultar indicadores da safra atual, comparar a produção com médias departamentais e identificar tendências. “Com o SILANA, qualquer usuário pode consultar indicadores durante a safra atual, comparar sua produção com as médias departamentais e detectar tendências”, afirmou Gonzalez.

A plataforma já processa cerca de 4 mil análises de lotes comerciais de lã provenientes dos laboratórios têxteis do INTA e do Conselho Agrário Provincial (CAP) de Santa Cruz. Com base nos dados, o sistema gera indicadores de qualidade, como finura, rendimento de favos e resistência à tração. Também permite comparar a colheita atual com a anterior e consultar mapas interativos.

Para os produtores que realizam análises de qualidade, uma das vantagens é o acesso a informações atualizadas durante a época da colheita. Os dados são incorporados à plataforma conforme a tosquia avança e novos lotes são analisados.

Outro diferencial é a possibilidade de consultar os indicadores em escala departamental. Além dos valores provinciais, o usuário consegue acessar informações específicas de cada departamento, facilitando a comparação da própria produção com a realidade local.

A plataforma também reúne informações relevantes para o processamento industrial e para a definição de preços. Segundo dados divulgados pelo INTA, apenas os laboratórios da instituição possuem equipamentos capazes de medir variáveis como comprimento do pavio e resistência à tração. “Um dos maiores desafios foi homogeneizar os dados de diferentes laboratórios, alcançando volume e representatividade para finalmente apresentá-los em uma interface amigável ao usuário”, disse Sebastián Polacco, membro da equipe de desenvolvimento do INTA EEA Chubut.

Para o produtor, a ferramenta permite verificar o desempenho da produção em relação ao próprio departamento e à safra anterior. Já técnicos e consultores podem utilizar os dados para elaborar diagnósticos e projetos de melhoria.

A plataforma também disponibiliza informações estratégicas para orientar políticas de acordo com a realidade de cada região. Os dados podem ainda ajudar na identificação de tendências de mercado e na antecipação da oferta regional de lã, tanto em quantidade quanto em qualidade. “Para um produtor, saber se a sua produção e qualidade se desviam da média departamental é fundamental; isso permite compreender como as condições ambientais e o manejo da fazenda impactam a qualidade da sua lã. Por sua vez, poder comparar a safra atual com a anterior permite entender as variações com base nas características climáticas específicas de cada ano”, acrescentou Diego Sacchero, membro da equipe de desenvolvimento do INTA Bariloche.

Por trás da interface da SILANA está um sistema estruturado para processar grandes volumes de dados da rede de laboratórios têxteis, com equipamentos de comunicação do INTA, capacidade de programação e infraestrutura voltada ao processamento das informações.

O resultado é uma ferramenta que vai além de um banco de dados. O sistema pode ser aprimorado a cada colheita, já que o aumento do volume de informações permite ampliar a precisão das comparações.

Essa estrutura possibilita transformar as análises realizadas nos laboratórios em informações atualizadas e específicas para diferentes regiões produtoras. “Por trás de cada número que o produtor vê hoje, existem meses de trabalho nos laboratórios têxteis. A SILANA garante que as informações dos laboratórios cheguem ao produtor”, destacou Maximiliano Macias, membro da equipe da SILANA.

Com informações do Governo da Argentina*

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