Como identificar o nematoide das lesões no café
Diagnóstico precoce reduz riscos ao cafezal
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A identificação antecipada do nematoide das lesões, provocado por espécies do gênero Pratylenchus, pode evitar prejuízos ao desenvolvimento e à produtividade dos cafezais. O organismo ataca o sistema radicular, provoca lesões necróticas nas raízes e compromete a absorção de água e nutrientes, refletindo diretamente no vigor das plantas.
A ocorrência é mais frequente em áreas com solos arenosos ou submetidos a uso intensivo, especialmente em regiões produtoras da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo. Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, o monitoramento sistemático das lavouras é apontado como uma medida importante para reconhecer os primeiros sinais do problema e confirmar sua presença por meio de análises laboratoriais.
Os sintomas costumam ser confundidos com deficiência nutricional, estresse hídrico ou envelhecimento natural das plantas. Por isso, a observação da parte aérea e das raízes deve ser feita em conjunto. Plantas distribuídas em reboleiras, com crescimento reduzido, folhas amareladas, menor quantidade de ramos produtivos, desfolha precoce e florescimento irregular estão entre os principais indícios de que o sistema radicular pode estar comprometido.
Nas raízes, o sinal mais característico é o aparecimento de lesões alongadas ou irregulares, de coloração marrom-escura a preta, acompanhadas da redução das raízes finas responsáveis pela absorção de água e nutrientes. Diferentemente dos nematoides formadores de galhas, as espécies de Pratylenchus não provocam deformações visíveis, mas causam necroses que facilitam a entrada de fungos e bactérias.
O texto destaca que o nematoide das lesões é um organismo migrador, capaz de entrar e sair dos tecidos das raízes ao longo de seu ciclo. Esse comportamento acelera os danos ao sistema radicular e pode comprometer o desempenho da lavoura durante vários anos, caso o problema não seja identificado.
Além da redução do vigor, o ataque pode diminuir o aproveitamento dos fertilizantes, aumentar a sensibilidade das plantas aos períodos de seca e provocar queda contínua da produtividade. Em áreas de sequeiro e irrigadas, a presença do nematoide também favorece a desuniformidade do cafezal, com plantas debilitadas ao lado de indivíduos aparentemente sadios.
A suspeita deve ser reforçada quando a perda de vigor ocorre em áreas reformadas, em locais com histórico de uso intensivo do solo ou quando não há resposta satisfatória das plantas às práticas de adubação. Nesses casos, a recomendação é coletar amostras de solo e raízes em diferentes pontos do talhão, incluindo áreas com sintomas e locais considerados sadios, para envio a laboratórios especializados.
Ao solicitar o diagnóstico, o produtor deve informar que se trata de uma análise nematológica de solo e raízes para cafeeiro, indicando a suspeita de Pratylenchus spp. O laudo normalmente informa a presença ou ausência do nematoide, a densidade populacional e, em alguns casos, a identificação da espécie.
O documento ressalta que o diagnóstico visual, por si só, não confirma a presença do nematoide. "O diagnóstico visual de nematoide das lesões em café é sempre presuntivo. Nem plantas muito doentes, com raízes necróticas, confirmam sozinhas a presença de Pratylenchus; é indispensável a análise em laboratório para diferenciar a ação de fungos, bactérias e outros nematoides."
Também é destacado que a definição das medidas de manejo deve considerar o histórico da área, a intensidade da infestação e os resultados laboratoriais. O planejamento pode incluir o uso de mudas com controle fitossanitário, melhoria das condições do solo, adoção de cultivares mais tolerantes e avaliação do emprego de produtos químicos ou biológicos, sempre com acompanhamento de um engenheiro agrônomo.
Segundo o conteúdo, manter uma rotina de monitoramento das lavouras, registrando reboleiras, avaliando o estado das raízes e realizando análises periódicas, é uma das estratégias para reduzir os impactos do nematoide das lesões na cafeicultura.