CI

Nova proteína atrai consumidores argentinos

Carne alternativa movimenta setor rural na Argentina


Foto: Divulgação

A carne de jumento ganhou espaço no debate sobre novas proteínas após um evento de degustação realizado em Trelew, na Patagônia, na Argentina, onde pratos preparados com o produto se esgotaram em poucas horas. Segundo relatos do mercado local, açougues da região também registraram rápida saída dos estoques, indicando aceitação por parte dos consumidores.

A iniciativa foi idealizada pelo produtor rural Julio Cittadini, que afirmou que o projeto não está relacionado ao cenário econômico do país. “não há qualquer relação entre o sucesso do lançamento da carne e a atual situação econômica da Argentina”, disse. De acordo com ele, a proposta faz parte de uma estratégia de adaptação da produção às condições locais e à demanda do mercado interno.

Com experiência de seis décadas na pecuária, Cittadini substituiu a criação de ovinos pela de asininos na província de Chubut, após perdas causadas por predadores como o puma. Segundo o produtor, as condições da região dificultam a criação de bovinos, enquanto os jumentos apresentam adaptação ao clima e ao relevo, além de menor vulnerabilidade a ataques.

O projeto, desenvolvido ao longo de dois anos, obteve autorização das autoridades sanitárias locais e nacionais para o abate. De acordo com os envolvidos, os animais demonstraram boa adaptação às condições da Patagônia, o que viabilizou a produção. O preço inicial da carne, fixado em 7.500 pesos por quilo, foi definido como estratégia para estimular o consumo.

Mesmo com tradição no consumo de carne bovina, com média anual de 49,4 quilos por habitante, o mercado argentino já incorpora outras proteínas, como carne de guanaco e de lhama. Em Corrientes, há iniciativas para processar carne de espécies como veado-axis e javali, com o objetivo de reduzir impactos ambientais e gerar renda no meio rural.

O avanço da carne de jumento também gerou questionamentos jurídicos. Organizações não governamentais acionaram a Justiça para contestar o abate, alegando restrições no código alimentar. O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar informou que não há proibição ao consumo. Segundo Julio Cittadini, a legislação exige apenas o cumprimento das normas sanitárias.

Além da carne, o leite de jumenta também tem ganhado espaço no país e será apresentado como novidade na feira TodoLáctea, em Córdoba. O produto é apontado como alternativa no setor lácteo, com aplicações nutricionais e industriais, segundo os organizadores do evento.

A produção e o consumo de carne e leite de jumento já ocorrem em países da Europa, África, além de mercados como China e México. No Brasil, a estruturação de uma cadeia produtiva ainda é inicial, embora especialistas apontem potencial, especialmente em regiões como o Nordeste.

De acordo com produtores e pesquisadores, o desenvolvimento dessa cadeia poderia seguir trajetória semelhante à da bovinocultura, que consolidou o país como referência na produção de carne e ampliou a participação no mercado de leite, com geração de renda e expansão da atividade.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7