Soja em Mato Grosso sobe para R$ 134,01 por saca
O cenário internacional ganhou sustentação em agosto
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A soja em Mato Grosso encerrou a última semana cotada, em média, a R$ 134,01 por saca, avanço de 2,39% em relação à semana anterior. Segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a valorização foi influenciada pela alta das cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, movimento que também melhorou as condições de negociação das safras 2025/26 e 2026/27 no estado.
O cenário internacional ganhou sustentação em agosto diante das preocupações com o desenvolvimento das lavouras de soja nos Estados Unidos. Conforme o Imea, o contrato corrente permaneceu em níveis elevados em Chicago, enquanto os vencimentos futuros superaram a marca de US$ 13 por bushel, favorecendo a sustentação dos preços no mercado mato-grossense.
A melhora nas cotações teve reflexo direto sobre a comercialização da próxima temporada. A safra 2026/27 atingiu 39,12% da produção estimada já negociada, avanço de 8,89 pontos percentuais na comparação mensal. O índice também ficou 11,72 pontos percentuais acima do observado no mesmo período de comercialização da safra 2025/26.
Além do aumento no volume negociado, o preço médio da soja da temporada 2026/27 também avançou. O valor chegou a R$ 121,18 por saca, uma valorização de R$ 10,01 por saca em relação a julho, de acordo com o instituto. Os dados mensais mostram uma aceleração das vendas antecipadas, já que o percentual comercializado passou de 23,33% em julho para 30,23% em agosto e alcançou 39,12% no levantamento mais recente.
Na safra 2025/26, as negociações estão próximas do encerramento. O volume comercializado chegou a 96,90% da produção, aumento de 3,84 pontos percentuais frente a julho. A evolução registrada pelo Imea indica que o percentual estava em 87,68% em julho e passou para 93,06% em agosto antes de atingir o patamar atual.
Enquanto os preços e a comercialização avançaram, as exportações de soja de Mato Grosso perderam força em agosto. O estado embarcou 1,41 milhão de toneladas, queda de 61% em relação a julho e de 1,26% frente a agosto de 2025, conforme números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apresentados no boletim do Imea. A participação mato-grossense nos embarques nacionais caiu de 27,06% em julho para 14,42% em agosto.
A redução foi atribuída à menor oferta disponível no estado, em meio ao avanço da comercialização da safra 2025/26 e à demanda interna aquecida pelo grão. A avaliação apresentada pelo Imea é de que Mato Grosso tende a desacelerar os embarques nos próximos meses, enquanto outros estados podem ampliar sua participação nas exportações brasileiras.
No cenário nacional, o movimento foi menos intenso. O Brasil exportou 9,81 milhões de toneladas de soja em agosto, recuo de 26,82% frente a julho, mas volume 5,17% superior ao registrado em agosto de 2025. O desempenho, segundo os dados da Secex divulgados pelo Imea, foi sustentado pela maior disponibilidade de soja em estados com colheita mais tardia e pela demanda externa aquecida pelo produto brasileiro.
Outros indicadores também marcaram a semana. O dólar recuou 0,53%, enquanto o óleo de soja em Mato Grosso avançou 1,22%, com preço médio de R$ 6.196,39 por tonelada. Com Chicago dando suporte às cotações e a safra 2025/26 próxima de completar sua comercialização, o mercado mato-grossense passa a concentrar cada vez mais atenção nas negociações antecipadas do ciclo 2026/27.