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Feijão: como ajustar ponto ideal de maturação

Momento da colheita define qualidade do feijão


Foto: Pixabay

A definição do ponto de colheita é uma das etapas mais importantes no manejo do feijão, pois interfere diretamente na produtividade e na qualidade dos grãos. A escolha do momento adequado reduz perdas por abertura de vagens, debulha no campo, grãos manchados ou ardidos e evita descontos na classificação comercial. Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, produtores deverão redobrar a atenção ao planejamento da colheita diante da possibilidade de irregularidades climáticas, como chuvas fora de época, ondas de calor e veranicos, além do uso crescente de cultivares com ciclo mais concentrado. Nesse cenário, identificar corretamente o estágio de maturação da cultura será essencial para a tomada de decisão.

O acompanhamento da fase final do ciclo deve considerar indicadores visuais e físicos da lavoura, diferenças entre colheita manual e mecanizada e os riscos de antecipar ou retardar a operação. Também é importante reforçar que a decisão sobre o momento da colheita deve ser tomada com acompanhamento técnico de um engenheiro agrônomo.

O feijão é uma cultura de ciclo curto e com colheita concentrada, o que faz com que a lavoura passe rapidamente do estágio de maturação para uma condição de maior risco de perdas. Quando o acompanhamento não é feito de forma adequada, aumenta a possibilidade de abertura das vagens e queda dos grãos ainda no campo.

Além disso, a cultura é sensível às chuvas na fase final de maturação. A ocorrência de precipitações próximas à colheita pode provocar reumedecimento de vagens e grãos, favorecendo manchas, aumento da incidência de grãos ardidos e mofados, germinação dentro das vagens em cultivares mais suscetíveis e elevação da umidade dos grãos, exigindo maior tempo de secagem.

Em contrapartida, retardar a colheita em períodos secos aumenta o risco de perdas por debulha natural e danos provocados pela própria colhedora. Por isso, o ponto ideal de maturação representa o equilíbrio entre uma umidade adequada para a colheita, a preservação da qualidade física e visual dos grãos, a redução de perdas no campo e as condições climáticas favoráveis.

Na prática, o ponto ideal ocorre quando a maior parte das plantas e vagens já atingiu a maturidade fisiológica e apresenta secagem suficiente para permitir a colheita com menores perdas e melhor qualidade dos grãos. A definição desse momento deve reunir observação visual da lavoura, avaliação dos grãos, medição da umidade, quando possível, e análise das condições climáticas previstas para os dias seguintes.

É importante diferenciar a maturidade fisiológica do ponto de colheita. A primeira corresponde ao momento em que o grão conclui o enchimento e alcança seu peso seco máximo, normalmente acompanhado da mudança da coloração das vagens de verde para palha. Já o ponto de colheita ocorre alguns dias depois, quando vagens e grãos apresentam umidade adequada para reduzir perdas mecânicas e facilitar a conservação após a colheita.

Para quem não dispõe de equipamentos de medição de umidade, a avaliação visual torna-se uma ferramenta importante. O ideal é que entre 90% e 95% das plantas estejam secas, sem folhas verdes, com coloração variando entre palha e marrom, enquanto cerca de 80% a 90% das vagens apresentem cor palha, textura seca e poucas unidades ainda verdes.

Os grãos também oferecem indicativos importantes. Eles devem apresentar a coloração característica da cultivar, consistência firme ao serem pressionados com a unha e ausência de enrugamento excessivo, que pode indicar secagem além do ideal. Embora esses parâmetros possam variar conforme o tipo de feijão, a cultivar e o sistema de colheita, a combinação de plantas secas, vagens predominantemente palha e grãos firmes é considerada um indicativo confiável para o início da operação.

A umidade dos grãos é um dos critérios técnicos mais precisos para definir o momento da colheita. Na colheita mecanizada, recomenda-se realizar a operação quando os grãos apresentarem umidade intermediária, evitando tanto a quebra de grãos excessivamente secos quanto danos por amassamento em grãos muito úmidos.

Na colheita manual, existe maior flexibilidade, já que as plantas podem ser arrancadas com umidade um pouco superior, desde que haja condições para uma secagem rápida e adequada após a retirada do campo. Ainda assim, é importante que a maior parte das plantas e vagens já tenha atingido estágio avançado de maturação.

Independentemente da umidade no momento da colheita, os grãos destinados ao armazenamento devem passar por secagem até atingir níveis seguros, reduzindo o risco de deterioração e desenvolvimento de fungos, conforme as normas de classificação e armazenagem.

A antecipação da colheita pode resultar em grãos com elevada umidade, maior custo de secagem, danos mecânicos, presença de grãos verdes, menor peso e pior qualidade culinária, além de favorecer defeitos durante o processo de secagem.

Quando a colheita é realizada tardiamente, aumentam as perdas por debulha natural, a incidência de grãos quebrados, os danos provocados por chuvas tardias, a perda de brilho e alterações na cor dos grãos, além do risco de germinação ainda nas vagens.

Do ponto de vista econômico, tanto a antecipação quanto o atraso representam prejuízos relacionados à redução do rendimento, aumento dos custos de secagem e descontos na classificação comercial. Por isso, acertar o ponto ideal de colheita é considerado um dos fatores mais importantes para a rentabilidade da cultura.

A decisão sobre o início da colheita deve considerar três aspectos principais. O primeiro é o monitoramento constante da lavoura na fase final do ciclo, com avaliações em diferentes pontos do talhão para estimar o percentual de plantas e vagens secas.

O segundo envolve a avaliação dos próprios grãos, por meio da abertura manual de vagens para observar coloração, consistência e, quando possível, medição da umidade utilizando equipamentos apropriados.

O terceiro aspecto é o planejamento operacional aliado às condições climáticas. A previsão do tempo deve ser acompanhada com antecedência para evitar interrupções provocadas por chuvas, enquanto a capacidade de colheita da propriedade deve ser considerada para que áreas prontas não permaneçam expostas por muitos dias.

O planejamento conjunto entre produtor e engenheiro agrônomo também permite definir a sequência de colheita dos talhões, priorizando áreas em estágio mais avançado de maturação ou mais suscetíveis a perdas em caso de mudanças nas condições climáticas.

As características do sistema de colheita também influenciam o momento ideal da operação. Na colheita manual, é possível realizar o arranquio das plantas antes da secagem completa, finalizando esse processo posteriormente. Já a colheita mecanizada exige maior uniformidade de maturação para reduzir perdas e danos durante a trilha.

Quando a lavoura apresenta desuniformidade acentuada entre plantas verdes e secas, aumenta a dificuldade para definir um único momento de colheita. Nesses casos, pode haver necessidade de manejo específico para uniformização da área, sempre mediante avaliação técnica e observando rigorosamente as orientações de rótulo e bula dos produtos autorizados.

Além da escolha do momento correto, a regulagem da colhedora também exerce papel importante. Velocidade de deslocamento, rotação do sistema de trilha e regulagem de ventiladores e peneiras devem estar ajustadas para minimizar perdas e danos aos grãos.

A definição do ponto de colheita está diretamente relacionada a outras práticas de manejo da cultura. A escolha de cultivares com ciclo uniforme, a época de semeadura, o manejo nutricional, o controle de plantas daninhas e o planejamento da sucessão de culturas influenciam a uniformidade da maturação e facilitam a colheita.

Na etapa final da produção também devem ser observados cuidados relacionados à segurança. Operadores de máquinas devem utilizar equipamentos de proteção individual, manter dispositivos de segurança das colhedoras em funcionamento e seguir as normas aplicáveis às operações agrícolas.

Quando houver necessidade de utilização de produtos para dessecação ou manejo de plantas daninhas na pré-colheita, é indispensável respeitar as recomendações de rótulo e bula, bem como o receituário agronômico e os períodos de carência previstos.

Entre as recomendações práticas para iniciar a colheita estão verificar se pelo menos 90% das plantas estão secas, confirmar que entre 80% e 90% das vagens apresentam coloração palha, avaliar a dureza e o aspecto dos grãos em diferentes pontos da lavoura, medir a umidade quando possível, acompanhar a previsão do tempo, revisar as colhedoras, planejar a sequência de colheita dos talhões e organizar previamente o transporte e a secagem dos grãos.

Ao integrar o monitoramento visual, a avaliação da umidade e o planejamento operacional, o produtor amplia as chances de realizar a colheita no momento adequado, preservando produtividade, qualidade dos grãos e reduzindo perdas durante essa etapa do cultivo.

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