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Estudo aponta que manejo adaptado ao solo amplia armazenamento de carbono

Manejo define estoque de carbono no solo


Foto: Pixabay

Um estudo conduzido por especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina concluiu que adaptar as práticas de manejo à textura de cada solo é um fator decisivo para ampliar o armazenamento de carbono orgânico e garantir a sustentabilidade dos sistemas produtivos no Chaco Seco, região localizada no noroeste do país.

A pesquisa foi realizada por uma equipe do INTA Salta, em parceria com o Instituto de Pesquisa Animal do Chaco Semiárido (IIACS-INTA), e comparou sistemas agrícolas extensivos, pastagens cultivadas e florestas nativas com pecuária. O levantamento avaliou como diferentes usos da terra afetam o carbono orgânico do solo (COS), considerado essencial para a produtividade e a estabilidade das áreas agrícolas. O estudo também levou em conta a textura do solo e utilizou um método de correção para minimizar os efeitos da compactação na comparação dos resultados.

O trabalho, desenvolvido pelos pesquisadores Carlos López Morillo, Laura Califano e Jorge Chalco Vera, analisou o impacto do uso da terra sobre o carbono orgânico do solo no Chaco Seco. Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que a capacidade de armazenar carbono está diretamente relacionada às práticas de manejo adotadas e reforçam a importância da interação entre manejo, condições ambientais e propriedades físicas do solo.

Para Carlos López Morillo, pesquisador do INTA Salta e principal autor do estudo, as características físicas do solo exercem papel determinante nesse processo. “A textura do solo mostrou ser um fator determinante na capacidade de armazenamento de COS; solos de textura fina armazenam mais carbono. Solos de textura grossa apresentam maior vulnerabilidade a certos usos e práticas de manejo”, afirmou.

O estudo identificou que solos de textura fina manejados com pastagens implantadas e taxas de lotação adequadas apresentam maior potencial de armazenamento de carbono. Já os solos mais arenosos se mostraram mais vulneráveis aos processos de degradação, especialmente em sistemas extensivos de produção de sequeiro ou em florestas utilizadas para o pastoreio de gado, onde práticas como sobrepastoreio, compactação e perda da cobertura vegetal intensificam a redução das reservas de carbono orgânico e favorecem processos de degradação e desertificação.

Outro aspecto analisado pelos pesquisadores foi a compactação do solo provocada pelas práticas de manejo. O estudo constatou que sistemas agrícolas e áreas de pastagens cultivadas apresentaram níveis mais elevados de compactação, condição que limita o desenvolvimento das raízes e a infiltração de água, além de poder superestimar o volume de carbono armazenado quando as amostras são coletadas em profundidade fixa sem o uso de métodos adequados de avaliação.

López Morillo destacou que a adoção de uma metodologia de correção baseada na massa equivalente de solo permitiu uma comparação mais precisa entre os diferentes sistemas produtivos avaliados.

Na conclusão da pesquisa, o pesquisador ressaltou que “a produção agrícola no Chaco Seco depende menos do tipo de uso da terra do que da interação entre as práticas de manejo e sua intensidade em cada ambiente”.

Segundo o pesquisador, a adoção de práticas conservacionistas adaptadas à textura de cada solo, aliada ao monitoramento contínuo, pode melhorar o funcionamento desse recurso natural, reduzir o risco de degradação, ampliar o sequestro de carbono orgânico do solo e fortalecer a estabilidade dos sistemas de produção da região.

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