Alerta nos EUA: Surto de mosca-da-bicheira afeta mercado bovino
O relatório WASDE de junho de 2026 detalhou o impacto do surgimento da mosca-da-biche
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O mercado de proteína animal dos Estados Unidos enfrenta um novo desafio sanitário que já reflete de forma expressiva nos números oficiais de produção e na balança econômica. O relatório WASDE de junho de 2026 detalhou o impacto do surgimento da mosca-da-bicheira no rebanho norte-americano e revelou como a avicultura está equilibrando a oferta geral, que atingiu a marca de 108,11 bilhões de libras projetadas para o ano.
O alerta começou no dia 3 de junho de 2026, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a descoberta da mosca-da-bicheira em um bezerro no estado do Texas. Na sequência, a situação escalou, com casos adicionais sendo identificados tanto em gado quanto em animais de estimação no país.
Em resposta à ameaça, o USDA e as autoridades estaduais locais entraram em ação rápida para conter e monitorar o avanço da praga. As políticas implementadas incluem quarentenas e controles rigorosos sobre a movimentação de gado nas áreas afetadas.
O cenário sanitário e logístico teve um efeito direto nas projeções para a pecuária de corte, com a estimativa de produção de carne bovina para 2026 sendo cortada para 25,50 bilhões de libras, ante os 25,61 bilhões projetados no mês de maio. O relatório sinalizou que o ritmo lento no abate de novilhos e novilhas deve persistir ao longo do segundo trimestre, avançando também pelo terceiro trimestre do ano. A taxa de abate de vacas também sofreu cortes.
O fator que impediu uma queda ainda mais severa na oferta norte-americana foi o registro de carcaças mais pesadas, que compensaram parcialmente as reduções no volume de abates. Esse aperto na disponibilidade pressionou o mercado interno, com a cotação do gado de corte projetada em elevação para US$ 255,00/cwt (cwt = cem libras) no segundo trimestre, sustentando uma forte média anual de US$ 250,16/cwt.
Apesar da retração nos pastos, a projeção total da produção de carnes vermelhas e aves nos EUA para 2026 foi elevada em relação ao mês anterior. Essa alta surpreendente tem um protagonista claro: a forte produção de frango (broiler), cuja estimativa anual saltou para 48,84 bilhões de libras, superando com folga a queda registrada na carne vermelha. O USDA elevou as estimativas para a avicultura com base em dados recentes de abates e incubatórios, além de margens financeiras bastante favoráveis ao produtor.
Para completar o cenário de compensação, a produção de carne suína também foi ligeiramente elevada, atingindo a projeção de 28,01 bilhões de libras. Segundo o relatório, a redução nos abates de suínos durante o segundo trimestre foi mais do que neutralizada pelo registro de pesos de carcaça mais elevados. Contudo, a recente fraqueza nas cotações domésticas forçou a agência a cortar a estimativa de preço do suíno vivo para uma média anual de US$ 66,63/cwt, ilustrando uma compressão de margens para o suinocultor. Com isso, o forte volume das granjas e aviários garante que a oferta total de proteínas dos EUA continue em trajetória de alta.