Farelo de arroz mira mercado de alto valor
No Brasil, parte do farelo gerado no polimento do grão ainda é destinada à ração
No Brasil, parte do farelo gerado no polimento do grão ainda é destinada à ração - Foto: Pixabay
A cadeia do arroz pode ganhar nova dimensão econômica ao transformar um subproduto tradicional em matéria-prima para indústrias de maior valor agregado. A avaliação é de Gilmar Pretto, membro do conselho fiscal da Minupar Participações S.A., com base em portfólios tecnológicos oficiais e pesquisas de mercado sobre o farelo de arroz.
No Brasil, parte do farelo gerado no polimento do grão ainda é destinada à ração animal ou à produção de óleo bruto. Em mercados asiáticos, porém, o mesmo resíduo já é convertido em ingredientes nobres para os setores farmacêutico, cosmético e de suplementos alimentares.
Entre as oportunidades mapeadas está o ácido ferúlico, antioxidante extraído do farelo de arroz. O composto aparece como base para protetores solares naturais, com uso como filtro UV único em bastão, substituindo componentes petroquímicos. A aplicação é apontada como disruptiva nas Américas.
Outro caminho é o chamado “magnésio de arroz”, um fitato de magnésio vegetal com absorção gradual e sustentada no organismo. A substância pode atender à demanda por suplementos voltados a sono, fadiga muscular e digestão precoce, com potencial inédito no mercado brasileiro.
O levantamento também destaca o ácido fítico, ou IP6, como agente quelante natural capaz de estabilizar fórmulas cosméticas e alimentos, em alternativa a compostos sintéticos como o EDTA. Já os ésteres de riceterol e o gama-orizanol são associados ao aumento da produção de colágeno e ácido hialurônico e à redução do colesterol LDL.
A análise indica que o país já dispõe da matéria-prima concentrada nas indústrias de beneficiamento. O desafio está em avançar para biorrefinarias capazes de extrair fitocêuticos do farelo, agregando valor à cadeia e posicionando o arroz como insumo da bioeconomia.