Dengue eleva risco de síndrome neurológica rara
A análise considerou mais de 5 mil casos hospitalizados
A análise considerou mais de 5 mil casos hospitalizados - Foto: Pixabay
A infecção por dengue pode estar associada a complicações neurológicas raras, mas potencialmente graves, que exigem atenção médica mesmo após a fase aguda da doença. Estudos recentes indicam que o vírus pode desencadear respostas do sistema imunológico capazes de afetar o funcionamento dos nervos.
Pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz aponta que pessoas infectadas pelo vírus têm risco 16,7 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré nas seis semanas seguintes à infecção. A condição provoca sintomas como formigamento, fraqueza muscular, dores e, em casos mais severos, paralisia respiratória. O risco é ainda mais elevado nas duas primeiras semanas, período em que a resposta imunológica está mais intensa.
A análise considerou mais de 5 mil casos hospitalizados registrados no SUS entre 2023 e 2024. Parte dos pacientes apresentou a síndrome pouco tempo após a dengue, reforçando a relação entre a infecção e o distúrbio neurológico, já observada em outros países, mas até então sem mensuração precisa.
Outros estudos também indicam a presença de arboviroses em quadros neurológicos mais amplos, como encefalite. Nessas situações, o dano ocorre de forma indireta, quando o sistema de defesa passa a atacar a bainha de mielina, estrutura essencial para a condução dos impulsos nervosos.
Apesar da gravidade, os casos são raros e, quando diagnosticados precocemente, apresentam boa resposta ao tratamento. Especialistas destacam a importância de atenção a sintomas iniciais e à prevenção da dengue, incluindo a vacinação, como forma de reduzir riscos e complicações.