CI

Indicador reflete liderança do Brasil no algodão

Indicador da pluma celebra 30 anos


Foto: Canva

O Indicador do Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, completa 30 anos de divulgação diária ininterrupta neste mês de julho. Desde 1996, o levantamento acumula quase 7,5 mil publicações e se consolidou como uma das principais referências para a formação de preços da pluma no Brasil, oferecendo ao setor uma base confiável para a tomada de decisões.

O Indicador da pluma posta na mesorregião de São Paulo conta com o apoio direto da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão há 23 anos. Ao longo de sua trajetória, o trabalho também recebeu suporte institucional e financeiro da Bolsa de Mercadorias e Futuros, da B3, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e da Cooperativa Agrícola Nacional Sudeste Centro-Oeste. Apesar das diferentes parcerias ao longo dos anos, o Cepea informa que a metodologia de cálculo foi mantida, garantindo a credibilidade e a aceitação do indicador entre os agentes do mercado.

Atualmente, além da referência para a pluma comercializada em São Paulo, o Cepea acompanha os preços do algodão tipo 41-4 em 13 praças distribuídas por Mato Grosso, Bahia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná. O centro também monitora as cotações de caroço, torta, farelo, óleo e fios de algodão, a paridade de exportação pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), além de indicadores relacionados aos custos de produção, receitas, emprego, renda e Produto Interno Bruto da cadeia.

As informações são obtidas diariamente junto a cotonicultores, algodoeiras, cooperativas, corretores, comerciantes e indústrias têxteis. Segundo o Cepea, a continuidade do levantamento ao longo de três décadas demonstra a confiança dos agentes do setor na construção de informações baseadas em critérios científicos.

Para o pesquisador responsável pelo levantamento da pluma no Cepea, Lucilio Alves, a história do Indicador acompanha a transformação da cotonicultura brasileira. “O setor atravessou uma crise entre o final da década de 1980 e o fim dos anos 1990, quando a área cultivada e a produção nacional registraram fortes retrações, mas a demanda da indústria têxtil permaneceu relativamente estável, o que resultou na intensificação das importações”. Segundo ele, esse cenário impulsionou uma reestruturação marcada pela expansão da produção para novas fronteiras agrícolas, principalmente no Centro-Oeste e no oeste da Bahia.

De acordo com Alves, esse movimento consolidou um novo perfil para a atividade. “Essa transformação alterou significativamente a geografia da produção nacional, reduzindo a participação dos estados tradicionalmente produtores e ampliando o protagonismo de Mato Grosso, Bahia e Goiás”, destaca.

A partir da safra 1998/99, a cotonicultura iniciou um processo de recuperação sustentado pelo aumento da produtividade, resultado da adoção de novas tecnologias, da profissionalização da gestão e da maior eficiência dos sistemas de produção. Com isso, o Brasil deixou de depender das importações para abastecer a indústria nacional e passou a ocupar posição de destaque no mercado internacional.

Nos últimos anos, a produção nacional alcançou sucessivos recordes. Em 2025, o País superou pela primeira vez a marca de 4 milhões de toneladas de pluma produzidas. Para a safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento estima uma produção de 4,06 milhões de toneladas. No cenário global, o Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores e assumiu a liderança nas exportações, superando os Estados Unidos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que os embarques atingiram o recorde de 3 milhões de toneladas em 2025 e, entre agosto de 2025 e junho de 2026, já somavam 3,22 milhões de toneladas, antes mesmo do encerramento da temporada comercial.

A série histórica do Indicador também evidencia a volatilidade dos preços ao longo dessas três décadas. Em valores corrigidos pelo IGP-DI, o maior patamar foi registrado em março de 2011, impulsionado por restrições na oferta e pela forte demanda internacional. Já as menores cotações ocorreram entre o fim de 2008 e o início de 2009, durante a crise financeira global.

O mercado voltou a registrar preços reduzidos nos últimos meses. Segundo o Cepea, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, as médias reais do Indicador ficaram entre as mais baixas de toda a série histórica, próximas aos níveis observados na crise de 2008/09. Embora tenha havido recuperação parcial no primeiro semestre de 2026, os preços permanecem em um patamar historicamente baixo, equivalente a cerca da metade dos registrados em meados da década de 1990, refletindo o aumento da oferta mundial e os ganhos de eficiência da produção brasileira ao longo dos últimos 30 anos.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7