Juros altos “sufocam” o motor do país
Para o agronegócio, o efeito é especialmente sensível
Para o agronegócio, o efeito é especialmente sensível - Foto: Pixabay
Os indicadores macroeconômicos seguem no centro das preocupações do setor produtivo, em um ambiente marcado por juros elevados, inflação resistente e piora das contas públicas. A avaliação é de Claudio Brisolara, estrategista do agronegócio, com base na edição nº 27 do Radar Macroeconômico do Sistema Faesp/Senar.
O levantamento aponta deterioração do cenário econômico brasileiro em março, com reflexos diretos sobre a atividade e sobre o agronegócio. Segundo o material, o governo central registrou déficit primário de R$ 74,8 bilhões no mês, resultado associado ao perfil expansionista da política fiscal. Com isso, a dívida bruta avançou para 80% do PIB, ampliando a percepção de desequilíbrio nas contas públicas.
Esse quadro aumenta as pressões sobre os preços. O IPCA acumulado subiu para 4,39%, mantendo a inflação acima de um nível confortável e reforçando a necessidade de uma política monetária mais restritiva. Nesse contexto, o Banco Central mantém a taxa Selic em patamar elevado, de 14,5% ao ano, o que encarece o crédito e reduz o fôlego de empresas e consumidores.
Para o agronegócio, o efeito é especialmente sensível. A combinação de juros altos, custos financeiros maiores e atividade mais fraca limita investimentos, pressiona margens e dificulta o planejamento da produção. O Radar Macroeconômico mostra que o IBC-Br recuou 0,7% em março, indicando perda de ritmo da economia. No trimestre, a agropecuária foi o único setor a registrar retração, com queda de 0,5%.
Na leitura de Brisolara, o descompasso fiscal transborda para toda a economia e amplia os entraves ao setor produtivo. A preocupação é que a ausência de maior responsabilidade fiscal prolongue o ciclo de juros elevados e reduza a capacidade de crescimento do país. Para o estrategista, o agronegócio, considerado um dos motores da economia brasileira, tende a sentir de forma direta os efeitos desse ambiente caso o ajuste das contas públicas não avance.