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O futuro é promissor para o Brasil, dizem especialistas ouvidos no Campo das Ideias

Evento foi realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul


Foto: Maurício Concatto

O Seminário Campo das Ideias promoveu na quinta-feira (9/7), no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, um grande encontro de especialistas em agronegócio e economia para antecipar as demandas do setor. Anfitrião do evento e superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, disse na abertura que seria um dia importante para compreender onde estamos, a importância do setor, sua responsabilidade e como seguir inovando. Além de Condorelli, deram as boas-vindas ao público o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, e o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, que disse que o evento ocorria num teatro “para mostrar à sociedade urbana o que nós fazemos com excelência todos os dias no campo.”

A programação começou com palestra do professor, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras, Eduardo Giannetti. Ele falou sobre o cenário macroeconômico e as perspectivas econômicas para o Brasil. Giannetti recapitulou a história da globalização, que começou entre os séculos XIX e XX, e disse que estamos vivendo o final da hiperglobalização, caracterizada pela abertura “de todo o espaço da economia mundial para o capital”, a partir dos anos 1980. Por conta da crise financeira de 2008, da pandemia de Covid, que mostrou a fragilidade da interdependência global, de problemas de geopolítica e das interferências do presidente americano, Donald Trump, esse processo estaria acabando, segundo ele. E o fim da hiperglobalização seria positivo para o Brasil, que tem potencial para ampliar exportações e se tornar um ator global ao negociar ora com EUA, ora com a China, mas que, para isso, precisa incrementar capital humano, infraestrutura (portuária, ferroviária, hidroviária) e a questão fiscal.

O primeiro painel da manhã reuniu o representante da FAO, Jorge Meza, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, com mediação da secretária de Infraestrutura e Meio Ambiente do RS, Marjorie Kauffmann. Meza fez um balanço do impacto das mudanças climáticas para a produção de alimentos. “No setor agropecuário, adaptação e mitigação são indissociáveis. Os agricultores que se adaptam à mudança climática estão mitigando-a, e vice-versa. Por exemplo, quando um produtor adota sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta, para se adaptar à mudança climática e ter várias opções de renda, também contribui para o sequestro de carbono”, disse.

À tarde, o primeiro painel tratou da importância dos biocombustíveis para o agronegócio com o ex-diretor da ANP, Décio Odonne da Costa, e o vice-presidente de Operações da Be8, empresa gaúcha de energia renovável, Leandro Luiz Zat. Odonne fez um apanhado da história e da importância das fontes de energia para o bem-estar da humanidade e disse que não haverá transição energética mas adição energética, com o crescimento do uso de alternativas energéticas, ou seja, acúmulo de múltiplas fontes, já que uma substituição seria insuficiente para garantir energia a todos. O representante da Be8 mostrou o projeto da planta, falou da importância das famílias rurais para a produção de biodiesel e pediu que não façam distinção entre produção de alimentos e produção para geração de bioenergia. Ele anunciou que a empresa trabalha com expectativa alta para usar o arroz produzido no sul gaúcho como matéria para biocombustível, já que a planta da empresa, no norte do estado, é flexível para receber fontes diversificadas. O painel foi intermediado pelo diretor-presidente da Farsul, Fernando Rechsteiner.

Por fim, o assunto foi leite. Rafael Junqueira, da Lactalis do Brasil, disse que, apesar de ser um dos maiores produtores de leite, o país ainda precisa importar de vizinhos como Uruguai e Argentina porque não produz suficientemente nem para o consumo interno. O desafio é, mais do que superar isso, ser também um exportador de produtos lácteos. “Nosso desafio é, através de tecnologia, produtividade e eficiência, virar esse jogo”, disse.

Já a presidente da CropLife Brasil, que representa empresas especializadas em pesquisa e desenvolvimento de soluções para a produção agrícola sustentável nos setores de mudas e sementes, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, trouxe tendências globais para o agronegócio. Segundo Ana Paula Repezza, têm um peso importante para o setor o aumento da população global e a necessidade de melhorar a dieta, a necessidade de uma produção mais sustentável, o uso de tecnologias como Inteligência Artificial e drones, a inovação para a resiliência climática e o jogo geopolítico.

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