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Milho brasileiro enfrenta maior concorrência externa

Concorrência externa reduz embarques e aumenta preocupação com estoques


Foto: Divulgação

As exportações brasileiras de milho começaram outubro em ritmo mais lento, em um cenário de maior concorrência no mercado internacional. Nos sete primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 1,73 milhão de toneladas do cereal, com média diária 16,3% inferior à registrada em outubro do ano passado.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apresentados no boletim semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), mostram as dificuldades enfrentadas pelo cereal brasileiro para ganhar espaço no comércio exterior. A maior disponibilidade de milho nos Estados Unidos e na Argentina tem aumentado a competição entre os países exportadores.

O cenário é especialmente desafiador para Mato Grosso, principal produtor nacional. Em setembro, o estado exportou 2,85 milhões de toneladas de milho, volume 32,1% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 19% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Entre julho e setembro, os embarques mato-grossenses somaram 7,61 milhões de toneladas, queda de 21,4% na comparação com o mesmo período da temporada anterior. A redução também aparece nas vendas para importantes destinos internacionais, como Egito, Irã e Espanha.

O Egito adquiriu 1,97 milhão de toneladas de milho do estado, retração de 3,85%. Os embarques para o Irã alcançaram 739 mil toneladas, queda de 29,3%, enquanto a Espanha recebeu 710 mil toneladas, redução de 29,94%.

Mesmo com as dificuldades nas exportações, os preços do milho permaneceram firmes no mercado físico brasileiro durante a semana. No Rio Grande do Sul, a saca de 60 quilos foi negociada a R$ 62 em Nonoai, enquanto a média estadual recebida pelos produtores ficou em R$ 62,95, conforme levantamento da Emater.

Nas demais regiões acompanhadas, os preços variaram entre R$ 50 e R$ 63 por saca. Em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, o cereal foi cotado a R$ 50. Já em Pato Branco, no Paraná, a referência chegou a R$ 63. Essas diferenças mostram o comportamento regional das cotações no período analisado.

Enquanto isso, o plantio do milho de verão da safra 2026/27 avançou no Centro-Sul do país. Até 8 de outubro, a semeadura havia alcançado 44% da área prevista, segundo a AgRural. No mesmo período do ano passado, os trabalhos estavam em 45%.

Para Mato Grosso, o desafio dos próximos meses será ampliar os embarques e evitar o acúmulo de produto. Conforme avaliação do Imea, caso as exportações até janeiro acompanhem o ritmo observado no ciclo anterior, o estado poderá alcançar aproximadamente 21 milhões de toneladas vendidas ao exterior.

Nesse cenário, ainda seria necessário exportar cerca de 3 milhões de toneladas entre fevereiro e junho de 2027 para atingir a projeção de 24,1 milhões de toneladas na temporada. O volume supera os embarques históricos de aproximadamente 2 milhões de toneladas registrados nesse período do ano.

A possibilidade de maior retenção de milho no estado preocupa o mercado, especialmente pelos efeitos sobre os estoques e a capacidade de armazenagem. Sem aumento da demanda, parte da produção poderá permanecer disponível por mais tempo nas regiões produtoras.

No mercado nacional, a Agrinvest estima que o Brasil precisaria embarcar aproximadamente 6 milhões de toneladas em novembro, outros 6 milhões em dezembro e 5 milhões em janeiro para alcançar 38 milhões de toneladas exportadas no ciclo.

Com a concorrência internacional mais intensa e a necessidade de ampliar as vendas externas, o comportamento dos embarques será um dos principais pontos de atenção para o milho brasileiro. O ritmo das exportações terá importância para o escoamento da produção e para a formação dos estoques ao longo da temporada.

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