Preço do trigo sobe pelo 7º mês seguido no Paraná
Chuva pressiona colheita e preços seguem em alta
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A colheita do trigo avançou de 5% para 20% da área estimada no Paraná na última semana, impulsionada pelo tempo mais quente e pela necessidade de aproveitar as janelas de clima firme antes da chegada de novas chuvas. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o ritmo está acima do registrado no mesmo período da safra anterior, enquanto os preços já alcançam ou superam R$ 78 por saca em grande parte das praças.
O avanço dos trabalhos ocorre em um ritmo mais acelerado que o observado na safra passada, quando 12% da área havia sido colhida na semana equivalente. Em termos gerais, as condições das lavouras também permanecem melhores que as registradas no mesmo período do ano anterior.
Apesar disso, as primeiras produtividades obtidas têm decepcionado os produtores. Os rendimentos estão em linha com o início da colheita do ano passado, período em que o Paraná terminou a safra com produtividades recordes. A partir de agora, a colheita avança para regiões que receberam chuvas mais volumosas e recorrentes. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, as condições observadas, junto às temperaturas mais elevadas, confirmam os impactos do El Niño no Estado.
As chuvas expressivas registradas na metade sul do Paraná desde agosto também dificultaram a aplicação de fungicidas, principalmente no Sudoeste. Com isso, aumentou a pressão de doenças nas lavouras.
Mesmo diante das condições climáticas, os períodos de tempo seco têm permitido a colheita com umidade adequada dos grãos. A previsão de mais chuva nos próximos dias, porém, mantém os triticultores atentos à necessidade de aproveitar cada intervalo de tempo firme.
A combinação de temperaturas mais altas, chuvas recorrentes e pressão de doenças aumenta a preocupação com possíveis perdas de rendimento e qualidade. A redução da área semeada em algumas localidades também integra o cenário da safra. No mercado, essas condições, somadas a uma conjuntura internacional de preços favoráveis, contribuíram para uma valorização considerada atípica no início da safra.
Em setembro, a maioria das praças paranaenses registrava valores iguais ou superiores a R$ 78,00 por saca. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, o resultado do mês deve superar o patamar de R$ 74,90 registrado em agosto.
Caso confirmado, o movimento representará o sétimo mês consecutivo de alta nos preços do trigo no Estado. As cotações de setembro também estão acima dos R$ 71,62 praticados no mesmo mês do ano passado.
Os valores atuais se aproximam ainda do custo variável estimado pelo Deral em agosto, de R$ 77,18 por saca. Também estão próximos do preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal para a Região Sul, de R$ 78,51 por saca para o trigo Pão, tipo 1.
Com a colheita avançando para áreas mais afetadas pelas chuvas, os próximos dias serão importantes para o andamento dos trabalhos no campo. A disponibilidade de períodos secos deve definir o ritmo das operações e a capacidade dos produtores de retirar os grãos das lavouras antes de novas precipitações.