El Niño preocupa produtores de trigo no Paraná
Área de trigo cai, mas produtividade segue projetada
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O plantio de trigo no Paraná alcançou 84% dos 722 mil hectares previstos para a safra 2026, segundo o Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A área destinada ao cereal corresponde a pouco mais da metade dos 1,39 milhão de hectares cultivados em 2023.
De acordo com o levantamento, as lavouras apresentam boas condições até o momento, o que permite manter a expectativa de produtividade dentro da normalidade. Com isso, a estimativa de produção segue em 2,4 milhões de toneladas para a safra atual.
A umidade do solo permanece adequada em todo o estado, favorecendo o desenvolvimento da cultura. O boletim destaca que a alternância entre períodos de chuva e dias ensolarados tem contribuído para o estabelecimento das plantas e para o avanço das áreas recém-semeadas.
Apesar do cenário considerado favorável, cresce a preocupação dos produtores em relação à evolução do fenômeno El Niño nos próximos meses. Embora o evento climático já esteja confirmado, existe a possibilidade de ele atingir intensidade muito forte, condição que pode provocar chuvas acima da média na Região Sul e aumentar os riscos durante a colheita.
Segundo o Deral, a preocupação é ainda maior em um momento de redução da área cultivada. Caso o excesso de precipitações se confirme, a qualidade dos grãos poderá ser comprometida. O problema afeta diretamente a indústria de moagem, uma vez que o trigo atingido por chuvas excessivas tende a perder qualidade e pode ser rejeitado para uso industrial.
Nesse cenário, os moinhos poderiam ser obrigados a ampliar as compras em outras regiões para atender à demanda. O boletim ressalta que, para atingir a produção estimada de 2,4 milhões de toneladas, as lavouras precisarão atravessar o inverno sem impactos significativos provocados por geadas ou por condições inadequadas de umidade.
Qualquer redução na produção pode ampliar o déficit interno já projetado para o estado. Atualmente, a demanda da indústria moageira paranaense está estimada em 3,9 milhões de toneladas, enquanto a produção prevista aponta para uma diferença de cerca de 1,5 milhão de toneladas entre oferta e necessidade de consumo.