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Queijos paranaenses conquistam reconhecimento internacional

Regularização eleva preço do queijo de R$ 40 para R$ 55 no Paraná


Foto: Divulgação

Os queijos do Paraná conquistaram 667 medalhas em premiações nacionais e internacionais nos últimos seis anos, consolidando o estado como referência em qualidade e valorização de produtos lácteos. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o reconhecimento está associado, entre outros fatores, à assistência técnica oferecida aos produtores, que abrange desde o manejo dos rebanhos e a qualidade do leite até a estruturação e a regularização das agroindústrias.

Entre os destaques está a participação do Paraná no World Cheese Awards, considerada a maior competição internacional dedicada exclusivamente a queijos. Organizado anualmente pela Guild of Fine Food, entidade britânica que promove produtores e varejistas independentes de alimentos e bebidas artesanais, o evento é conhecido como o “Oscar dos Queijos”.

Na edição de novembro de 2025, realizada em Berna, na Suíça, mais de 5 mil queijos foram avaliados por especialistas de mais de 50 países. Entre os produtos premiados, três foram produzidos em Toledo, no Oeste do Paraná, em parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark de Toledo, centro de pesquisas voltado ao desenvolvimento de negócios locais.

Um dos destaques é o queijo Passionata, produzido com leite de vaca pasteurizado e massa dura. Sua coalhada passa por lavagem com infusão de maracujá, enquanto a casca recebe decoração com flores comestíveis, como calêndula, e sementes da fruta. O produto apresenta cremosidade característica, notas frutadas e leve acidez. O Passionata também conquistou o terceiro lugar no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril de 2026, em São Paulo. Promovido pela associação SerTãoBras, o evento é considerado o maior da América Latina dedicado à valorização da cultura queijeira.

O desempenho dos queijos paranaenses também se destaca no Prêmio Queijos do Brasil. Ao longo de suas seis edições, o estado acumulou 667 medalhas de ouro, prata e bronze. Somente em 2026, foram 272 medalhas conquistadas por participantes de regiões como Curitiba, Toledo, Apucarana, Ponta Grossa, Paranavaí, Francisco Beltrão, Cascavel, Laranjeiras do Sul, Santo Antônio da Platina e Dois Vizinhos. Além de queijos, os participantes apresentaram produtos como doce de leite, iogurte, manteiga e requeijão.

No Mundial do Queijo do Brasil de 2026, o Paraná teve 43 produtos lácteos medalhistas entre os 198 inscritos. Desse total, 12 queijarias acompanhadas pelo IDR-Paraná conquistaram 26 premiações: duas Super Ouro, dez Ouro, cinco Prata e oito Bronze, conforme os números informados pelo instituto.

O reconhecimento internacional também veio em 2024, quando o Passionata, produzido em Toledo, ficou em nono lugar entre os dez melhores queijos do mundo no World Cheese Awards, realizado em Portugal. O produto foi o único representante da América Latina na categoria Super Ouro. Em 2025, outros três queijos de Toledo foram premiados na competição, realizada na Suíça: Abaporu, com notas de baunilha, amêndoa, caramelo, canela e cravo; Saint Marcellin, de sabor amanteigado, com notas de cogumelos frescos e ervas; e Garoa Tropical, produzido com enzimas cítricas na coagulação.

O reconhecimento dos produtos paranaenses tem entre seus pilares a assistência técnica do IDR-Paraná e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), entidades vinculadas à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O acompanhamento abrange diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o manejo dos rebanhos e a qualidade do leite até a adequação sanitária, a estruturação das instalações e a regularização documental das agroindústrias.

Um exemplo é a Queijaria Vovó Zaine, de Tomazina, no Norte Pioneiro. Em 2020, quando decidiram abrir o negócio, Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva receberam apoio do IDR-Paraná por meio dos programas Agroindústria e Pecuária de Leite.

O trabalho envolveu planejamento e análise para a construção da queijaria, regularização documental, adequação sanitária da produção leiteira e orientações sobre conservação e comercialização formal dos produtos.

Os produtores também receberam capacitação em manejo de pastagens, nutrição animal e armazenamento, além de suporte para a montagem e a regularização da agroindústria. As mudanças contribuíram para ampliar a produção e melhorar a qualidade dos queijos, caracterizados pela massa semicozida, textura leve e macia e sabor suave. A trajetória rendeu à família medalhas de prata e bronze em duas edições do Prêmio Queijos do Paraná. Atualmente, os produtores vivem exclusivamente da comercialização dos queijos e recebem visitantes de diferentes regiões do estado.

Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a produtora Janete do Rocio Fila também transformou a trajetória da queijaria com apoio técnico. Ela produz queijos desde 2022, mas já trabalhava artesanalmente antes de formalizar o negócio. Após uma viagem à Serra da Canastra, em Minas Gerais, viabilizada pelo IDR-Paraná, Janete identificou a importância de adequar a produção às normas sanitárias. Com o apoio do Programa Agroindústria, regularizou a atividade. A mudança também refletiu no preço de venda: o quilo do queijo, antes comercializado por cerca de R$ 40, passou a valer aproximadamente R$ 55.

Atualmente, a produtora possui cadastro no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Susaf-PR) e acumula oito medalhas em premiações. Entre seus produtos estão queijos feitos com iogurte natural e versões saborizadas com morango e ameixa.

A expansão das queijarias faz parte de um movimento mais amplo de crescimento e formalização das agroindústrias paranaenses, que incluem atividades como panificação, produção de bebidas, mel e derivados lácteos.

Segundo dados divulgados pela Adapar, o número de agroindústrias habilitadas pelo Susaf-PR para comercializar produtos de origem animal passou de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026. O resultado representa mais que o triplo em dois anos e meio. No mesmo período, o número de municípios integrados ao sistema aumentou de 95 para 207, superando a meta de 200 prevista para 2026.

No segmento de derivados do leite, cerca de 85 famílias paranaenses vivem da atividade, e 30 novas queijarias foram implantadas nos últimos três anos. Desse total, um terço participou das premiações de 2026. Os dados apresentados também indicam que entre 49% e 59% das agroindústrias passaram a faturar mais de R$ 10 mil por mês, muitas delas com apoio técnico do IDR-Paraná.

Com capacidade para atender cerca de mil agroindústrias por ano, o instituto tem direcionado o acompanhamento a empreendimentos em fase inicial. Segundo o diagnóstico de 2023, 26% das agroindústrias atendidas estavam nos dois primeiros anos de atividade. Nos dados parciais de 2026, essa participação subiu para 35%.

Criado para valorizar a pecuária leiteira, agregar valor à matéria-prima e ampliar a visibilidade dos produtos lácteos do estado, o Prêmio Queijos do Paraná reúne instituições como IDR-Paraná, Sebrae-PR, Sistema Fecomércio-PR, Sindileite-PR e Sistema FAEP.

Na primeira edição, em 2023, foram inscritos 318 queijos, dos quais 98 receberam premiações. Em 2025, a segunda edição registrou 446 produtos inscritos e 75 premiados. A terceira edição do concurso está prevista para junho de 2027, dando continuidade à iniciativa de estimular a qualidade, a inovação e a valorização da produção queijeira paranaense.

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