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Geopolítica e energia moldam o cenário das commodities

Possível trégua geopolítica pode reduzir pressões sobre energia e inflação


Foto: Seane Lennon

O mercado global de commodities agrícolas inicia o segundo trimestre de 2026 em um ambiente de possível alívio, após meses de forte volatilidade. Informações divulgadas pela Hedgepoint Global Markets indicam que a redução das tensões geopolíticas pode favorecer cortes de juros, embora clima, energia e oferta ainda mantenham o setor em alerta.

O primeiro trimestre foi marcado pela intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetou diretamente o complexo de energia, a inflação, o dólar e as condições financeiras globais, conforme análise da Hedgepoint Global Markets.

Para o segundo trimestre, a consultoria aponta que um eventual cessar-fogo pode reduzir as tensões no curto prazo, contribuir para a queda do petróleo e melhorar o apetite por risco. Esse cenário abriria espaço para cortes nas taxas de juros, mas os efeitos inflacionários do choque energético ainda exigem cautela dos bancos centrais.

No açúcar, o ambiente segue pressionado pelo excesso de oferta. Ainda assim, o mercado encontra algum suporte no complexo energético, por causa da relação com o etanol e da definição do mix produtivo no Brasil. A Hedgepoint também avalia que o café mantém viés baixista nos fundamentos, diante da expectativa de uma safra robusta no Brasil. Por outro lado, custos elevados, dificuldades logísticas e a estrutura do mercado limitam correções mais intensas. No cacau, os preços passam por ajustes diante da expectativa de excedente e de uma demanda mais fraca.

Grãos respondem a biocombustíveis e tensão global

Entre os grãos, a soja encontrou sustentação na perspectiva de maior demanda nos Estados Unidos, impulsionada pelo avanço da mistura de biocombustíveis. A eclosão do conflito no Oriente Médio reforçou esse movimento, ao valorizar o óleo de soja.

Já o milho operou de forma lateral durante boa parte do primeiro trimestre, em meio ao equilíbrio entre ampla oferta e forte demanda por exportações norte-americanas. A partir de março, porém, o setor de energia, especialmente o etanol, deu novo fôlego às cotações.

No trigo, as preocupações com a qualidade da safra de inverno dos Estados Unidos e a possível redução da área plantada em 2026/27 sustentaram os preços em Chicago. A leitura foi reforçada pelo início do conflito no Oriente Médio.

Clima ganha força como vetor dos preços agrícolas

A Hedgepoint destaca que o clima deve assumir papel central no segundo trimestre. Modelos climáticos indicam o fim do La Niña e maior probabilidade de formação de um El Niño entre maio e julho.

Esse fenômeno pode alterar padrões climáticos globais e aumentar o risco de seca, chuvas excessivas e ondas de calor em regiões produtoras importantes. O impacto pode chegar diretamente à produtividade e aos preços agrícolas.

Energia mantém canal de volatilidade aberto

A análise da Hedgepoint mostra que o mercado de energia continuará exercendo influência relevante sobre as commodities. No primeiro trimestre, riscos geopolíticos, inclusive sobre infraestrutura e rotas estratégicas, sustentaram preços elevados e maior volatilidade.

Mesmo com expectativa de alívio parcial, a permanência de riscos geopolíticos e logísticos mantém o complexo energético como um dos principais canais de transmissão de instabilidade para as commodities.

Cenário exige atenção do produtor e do mercado

O segundo trimestre começa com sinais de melhora no ambiente global, mas ainda sem afastar os riscos. Para produtores, tradings e agentes financeiros, clima, energia e geopolítica seguem como variáveis decisivas na formação dos preços agrícolas.

 

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