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Farelo de arroz pode gerar mais valor à indústria

O ponto central está no volume disponível


O ponto central está no volume disponível O ponto central está no volume disponível - Foto: Divulgação

O aproveitamento integral do arroz ganha relevância em um momento em que a indústria busca agregar valor a subprodutos e atender a um consumidor mais atento à composição dos alimentos. A avaliação é de Gilmar Pretto, membro do Conselho Fiscal da Minupar Participações SA, ao apontar que o farelo de arroz desengordurado ainda carrega um potencial pouco explorado pela cadeia produtiva.

No processamento diário de toneladas de farelo de arroz para extração de óleo, o resultado é um farelo praticamente sem gordura. Esse material, muitas vezes tratado como subproduto, contém cerca de 15% de proteína em sua composição. Segundo a análise apresentada, essa proteína reúne características valorizadas na alimentação humana, como boa digestibilidade, alto valor nutricional e perfil hipoalergênico, por não estar associada a ingredientes como leite, soja ou glúten.

O ponto central está no volume disponível. O Brasil produz em torno de 10 milhões de toneladas de arroz por safra, e o farelo representa entre 8% e 11% do peso do grão. Depois da retirada do óleo, grande parte desse material segue para a alimentação animal, destino que tem importância econômica, mas que pode não capturar todo o valor nutricional existente no ingrediente.

A discussão também se conecta ao avanço do conceito de clean label, ou rótulo limpo. O consumidor passou a observar com mais atenção os ingredientes presentes nos produtos e tende a valorizar formulações com nomes reconhecíveis, menor presença de aditivos artificiais e maior transparência. Nesse cenário, a proteína de arroz aparece como alternativa por ser não transgênica, hipoalergênica e simples de identificar no rótulo.

Para a indústria, o tema representa mais do que uma oportunidade econômica. O Brasil é o maior produtor de arroz da América Latina e conta com uma cadeia que gera empregos no processamento. Aproveitar melhor a proteína do farelo pode significar um avanço de posicionamento e inovação em um setor que ainda destina parte relevante de sua matéria-prima a usos de menor valor agregado.
 

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