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Preço da terra reflete nova disputa por ativos

Nos últimos anos, duas tendências passaram a chamar a atenção do mercado


Nos últimos anos, duas tendências passaram a chamar a atenção do mercado Nos últimos anos, duas tendências passaram a chamar a atenção do mercado - Foto: Pexels

A valorização das terras produtivas ganha força em meio à pressão global por alimentos, proteínas e recursos naturais. A análise é de Carlos Alberto Tavares Ferreira, estrategista de sustentabilidade global, que vê o movimento como parte de uma transformação mais ampla no papel da terra rural.

Nos últimos anos, duas tendências passaram a chamar a atenção do mercado. A primeira é o avanço das canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, que têm levado milhões de pessoas a aumentar o consumo de proteínas para preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento. A segunda é a China, que segue entre os grandes motores da demanda mundial por carne, grãos e alimentos.

Para Ferreira, no entanto, o debate não se limita aos medicamentos ou ao consumo de um único país. A questão central está em como alimentar uma população global crescente utilizando praticamente a mesma quantidade de terras produtivas. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica, por reunir um dos maiores estoques de terras agricultáveis do planeta, tecnologia tropical desenvolvida pela pesquisa nacional, produtores eficientes e capacidade de ampliar a produção sem necessariamente expandir a área cultivada.

Ao mesmo tempo, restrições ambientais, exigências de rastreabilidade, mudanças climáticas e custos de produção tornam cada hectare produtivo mais relevante. A terra deixa de ser vista apenas como ativo imobiliário e passa a ser associada à segurança alimentar, hídrica, energética e climática.

A discussão, portanto, vai além da oscilação do preço do boi. O ponto central está em quem controlará, nas próximas décadas, os ativos produtivos capazes de gerar alimentos, água, energia e serviços ambientais. A leitura apresentada por Ferreira parte da ideia de que, quando a demanda cresce mais rápido que a oferta de ativos estratégicos, esses ativos tendem a se valorizar. Nesse contexto, poucas estruturas reúnem tanto peso econômico e ambiental quanto a terra produtiva.
 

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