Produção de citros cresce, mas demanda recua
Safra de citros tem boa produtividade no Estado
Foto: Pixabay
A citricultura do Rio Grande do Sul apresenta boas condições produtivas, mas enfrenta dificuldades na comercialização em algumas regiões. Conforme o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (25) pela Emater/RS-Ascar, os pomares da região administrativa de Caxias do Sul estão em bom estado geral, com produtividade variando entre as propriedades. Os produtores realizaram tratamentos fitossanitários e adubações de cobertura, enquanto as plantas usadas para cobertura do solo, como aveia e azevém, seguem em desenvolvimento. As variedades precoces estão em colheita, porém os comerciantes relatam baixa movimentação nas vendas. A bergamota Caí varia entre R$ 1,50 e R$ 2,00/kg, assim como a Ponkan e a laranja umbigo, enquanto a laranja para suco é comercializada a R$ 1,25/kg e a laranja do Céu chega a R$ 2,00/kg.
Na região administrativa de Erechim, a estimativa de produtividade para 2026 é de 32 toneladas por hectare. Algumas variedades de laranja iniciaram o processo de amarelecimento, e há interesse comercial pelas cultivares Salustiana, Iapar e Umbigo Navelina. Apesar disso, os produtores consideram os preços baixos, com valores em torno de R$ 0,40/kg. A colheita da laranja Valência destinada à indústria está prevista para o fim de julho, enquanto frutas de ciclo médio aguardam uma possível abertura de compras por parte das indústrias durante o mês de junho.
Na região de Santa Maria, a colheita da bergamota Ponkan segue em andamento.
Na região de Lajeado, o alerta sobre a presença de greening em Palmitinho aumentou a procura por informações técnicas, reuniões e orientações sobre compra de mudas e vistoria em pomares. Segundo a Emater/RS-Ascar, a prevenção é uma prioridade devido à importância do Vale do Caí para a citricultura, envolvendo milhares de famílias e uma cadeia produtiva ligada à atividade. Apesar da redução natural da atividade vegetativa durante o inverno, não foram registrados danos significativos nos pomares comerciais, e o frio tem contribuído para a coloração e melhoria das características das frutas destinadas ao mercado in natura. De forma geral, os pomares apresentam boa carga produtiva e produtividade estimada acima da média dos últimos anos, mesmo com problemas fitossanitários pontuais, como mosca-das-frutas, cancro-cítrico e leprose.
A comercialização, no entanto, permanece lenta, com baixa procura por algumas variedades e insatisfação entre produtores devido aos preços recebidos e aos custos de produção. A colheita da bergamota Ponkan está entre 50% e 70%, enquanto a bergamota Caí varia de 70% a 80%, mas encontra dificuldades de venda pela redução da demanda e pela falta de canais comerciais. A colheita da laranja do Céu gaúcha, variedade precoce, está próxima do encerramento em São Sebastião do Caí, alcançando cerca de 90% dos 45 hectares cultivados, com frutos considerados de boa qualidade.
Em Harmonia, a laranja Umbigo Bahia chegou a 90% de colheita dos 40 hectares cultivados. Já a laranja Shamouti, que ocupa 200 hectares, está com 60% da área colhida. A comercialização da laranja para suco segue retraída, com pouco interesse dos compradores. Mesmo com boa disponibilidade de frutos nos pomares, produtores relatam dificuldades para fechar negócios. O limão Tahiti também enfrenta desafios, principalmente em frutos que iniciam o amarelecimento. Em Bom Princípio, apesar do preço superior por caixa, a quantidade de frutas sem mercado compromete a cobertura dos custos de produção. Em São Sebastião do Caí, os citricultores relatam dificuldades de comercialização, cenário que tem pressionado os preços pagos aos produtores.