Semeadura do trigo avança, mas área deve recuar no RS
Área de trigo deve cair diante de custos elevados
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A semeadura do trigo avança de forma gradual no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e as condições de umidade do solo. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar, o ritmo de implantação da cultura varia entre as regiões devido às diferenças nas condições de campo, que alternam períodos de excesso de umidade, dificultando a entrada de máquinas, e momentos de déficit hídrico, que comprometem a germinação das sementes.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, as lavouras implantadas no início do período recomendado apresentam emergência satisfatória, com estandes adequados e bom desenvolvimento vegetativo. Ao mesmo tempo, os trabalhos de preparo das áreas destinadas ao cereal seguem em andamento em diferentes regiões produtoras.
Apesar do avanço das operações, as projeções apontam para uma redução expressiva da área cultivada com trigo na safra 2026 em comparação ao ciclo anterior. Conforme a Emater/RS-Ascar, a retração está relacionada à combinação de custos elevados de produção, restrições no acesso ao crédito e ao seguro rural, além do aumento da percepção de risco climático para as culturas de inverno. O cenário também tem levado produtores a ampliar o uso de recursos próprios e a reduzir a aquisição de sementes fiscalizadas.
A área destinada ao trigo em 2026 ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares, alcançando produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3.458.083 toneladas, segundo dados do IBGE.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o avanço da semeadura ocorre de forma distinta entre os municípios. Em São Gabriel, a área semeada corresponde a 25% da expectativa de cultivo de dois mil hectares, mas a projeção indica redução de 78% na área em relação à safra passada. Em Manoel Viana, o plantio ainda não começou devido à baixa umidade do solo, e a expectativa também é de redução da área cultivada. Em São Borja, cerca de 5% dos 20 mil hectares previstos já foram semeados. Parte dessa área foi implantada em solo seco e depende da ocorrência de chuvas para garantir a germinação e a emergência das plantas.
Na região de Caxias do Sul, os produtores concentram esforços no preparo das áreas. A semeadura deverá começar nos próximos dias nos municípios de menor altitude. Já nos Campos de Cima da Serra, o plantio está previsto para julho, seguindo o calendário regional de cultivo.
Na região de Ijuí, a semeadura alcançou 10% da área projetada, mas foi desacelerada pelo excesso de umidade do solo em parte do período. As áreas já implantadas apresentam boa emergência e desenvolvimento inicial. Também seguem os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas. Segundo a Emater/RS-Ascar, observa-se ainda maior interesse pelo cultivo destinado à produção de etanol, além da redução na procura por sementes certificadas e crédito de custeio, o que tem ampliado o uso de sementes salvas pelos produtores.
Na região de Santa Rosa, aproximadamente 10% da área prevista já foi semeada. As lavouras emergidas apresentam estande dentro do esperado, com elevado potencial germinativo e bom estabelecimento inicial. O avanço das operações dependerá das condições de umidade nas próximas semanas.
Em Soledade, a área destinada ao trigo também deverá ser menor do que a registrada no ano anterior. A semeadura alcança cerca de 10% da área prevista, e as lavouras implantadas apresentam germinação satisfatória, emergência uniforme e desenvolvimento vegetativo adequado. Na maior parte dos municípios da região, o período recomendado pelo ZARC segue até 20 de julho, enquanto nas áreas de maior altitude, como Soledade e Encruzilhada do Sul, o calendário se estende até 30 de julho.