Conflitos elevam custos da produção de leite
Insumos do leite sobem com alta do petróleo
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O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) encerrou março com alta de 3,1%, conforme relatório divulgado pela equipe econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (30/03).
De acordo com a entidade, a elevação dos custos está associada aos conflitos no Oriente Médio, que provocaram disrupções nas rotas globais de comércio. O preço do barril de petróleo subiu 43% em relação a fevereiro, o que resultou em aumento superior a 6% nos combustíveis. Os fertilizantes registraram alta de 19,7% no período, com destaque para a ureia, enquanto a energia elétrica apresentou elevação sazonal de 7,5%.
No primeiro trimestre, o indicador acumula deflação de 1,59%, movimento alinhado ao Fundação Getulio Vargas, cujo IGP-DI registrou retração de 1,3% no mesmo período. Segundo a Farsul, a convergência entre os índices indica que os efeitos do cenário internacional começam a influenciar a formação de preços ao produtor.
No acumulado de 12 meses, o ILC ainda apresenta queda de 6,4%. No entanto, os custos com fertilizantes acumulam alta de 21,7% e a energia elétrica, de 22,5%. A entidade também destaca a redução de 12% no preço recebido pelo produtor, o que mantém o ambiente operacional pressionado. A queda na remuneração superou o alívio observado nos insumos, resultando em compressão de margens e deterioração das relações de troca.
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul avalia que os impactos do conflito no Oriente Médio voltam a pressionar os custos, o que limita a recuperação da rentabilidade do setor leiteiro.
Para abril, a expectativa é de manutenção da inflação na cesta de insumos, com o petróleo ainda em alta e os fertilizantes influenciados pela instabilidade no Estreito de Ormuz, rota relevante para o fluxo global de suprimentos.