Umidade dos grãos desafia produtores de milho
Colheita do milho chega a 97% no Rio Grande do Sul
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A colheita do milho avançou para 97% da área cultivada no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar. As áreas remanescentes estão concentradas principalmente em pequenas propriedades que cultivaram o cereal em sucessão ao milho ou ao feijão, dentro dos períodos mais tardios previstos pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
De acordo com a Emater/RS-Ascar, as lavouras que ainda permanecem no campo estão, em sua maioria, na fase de maturação e foram favorecidas pelas condições de tempo estável registradas nas últimas semanas. No entanto, as temperaturas mais baixas e a redução da radiação solar têm prolongado o ciclo final da cultura, retardando a perda de umidade dos grãos e, consequentemente, a conclusão da colheita em algumas regiões.
O levantamento aponta que as lavouras tardias apresentam, de forma geral, desempenho produtivo satisfatório. A principal preocupação dos produtores está relacionada à elevada umidade dos grãos colhidos, o que exige processos de secagem para garantir a qualidade durante o armazenamento. Nas áreas que ainda estavam em enchimento de grãos, os efeitos das geadas ocorreram de forma localizada e limitada, sem comprometer significativamente o potencial produtivo estadual.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os trabalhos de colheita ganharam ritmo na Campanha com a liberação de máquinas após o encerramento da safra de soja. Em Aceguá, 20% dos mil hectares cultivados já foram colhidos, mas a produtividade deve ficar cerca de 30% abaixo da estimativa inicial de 4.800 quilos por hectare. Em Hulha Negra, a colheita alcançou 10% dos 1.600 hectares cultivados. Já em Candiota, os trabalhos atingiram metade dos 900 hectares plantados. Em Dom Pedrito, onde predominam áreas irrigadas e de maior investimento tecnológico, restam apenas 2% dos 2.500 hectares em fase de maturação, com expectativa de conclusão da colheita nos próximos dias.
Na região de Ijuí, a colheita está praticamente encerrada. Segundo a Emater/RS-Ascar, restam apenas áreas pontuais para a finalização dos trabalhos, enquanto o rendimento médio obtido nas lavouras colhidas alcançou 9.240 quilos por hectare.
Em Santa Rosa, a colheita chegou a 98% da área cultivada, enquanto os 2% restantes seguem em maturação. As lavouras que concluíram recentemente a formação dos grãos apresentaram boa evolução, mas as temperaturas mais baixas e a formação frequente de nevoeiros nas primeiras horas da manhã favoreceram o avanço de doenças foliares nas áreas semeadas mais tardiamente.
Na região de Soledade, as lavouras implantadas nos períodos intermediário e tardio do ZARC apresentam desenvolvimento considerado satisfatório. Atualmente, 5% das áreas estão em enchimento de grãos, outros 5% em maturação fisiológica e 2% em maturação de colheita, enquanto 88% já foram colhidos. Conforme a Emater/RS-Ascar, a redução da radiação solar e das temperaturas tem prolongado a fase de maturação. Apesar da boa qualidade dos grãos colhidos, a elevada umidade continua exigindo secagem antes do armazenamento.