Canola mantém potencial, mas clima preocupa
Excesso de umidade desafia lavouras de canola
Foto: Pixabay
As lavouras de canola no Rio Grande do Sul apresentaram bom desenvolvimento durante a última semana e avançaram para a fase de floração, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (30). Apesar da evolução da cultura, o excesso de umidade favoreceu o aumento da incidência de doenças, especialmente a canela-preta, exigindo reforço no monitoramento fitossanitário para evitar perdas de produtividade.
A Emater/RS-Ascar informou que a adubação de cobertura foi realizada nas lavouras semeadas mais tardiamente onde a umidade do solo permitiu a operação, enquanto o monitoramento de doenças e pragas segue em todas as regiões produtoras. A estimativa é de uma área cultivada de 353.397 hectares, com produtividade média projetada em 1.619 quilos por hectare.
Na região administrativa de Ijuí, responsável por cerca de 24% da área cultivada de canola no Estado, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, com plantas vigorosas e cobertura completa do solo. Nas áreas em floração e início da formação de grãos, observa-se concentração de síliquas no terço superior das plantas e emissão de inflorescências laterais no ramo principal, embora o número de ramos secundários permaneça baixo. Segundo a Emater/RS-Ascar, aumentaram os registros de canela-preta em mais lavouras e municípios, principalmente nos cultivos em estágio mais avançado. Diante desse cenário, os produtores intensificaram o monitoramento fitossanitário e aguardam melhores condições climáticas para realizar aplicações de fungicidas.
Na regional de Santa Rosa, que concentra aproximadamente 21% da área estadual, 57% das lavouras permanecem em desenvolvimento vegetativo, 40% estão em floração e 3% iniciaram o enchimento de grãos. O boletim alerta que o elevado volume de chuvas, aliado à alta umidade relativa do ar, à intensa nebulosidade e à baixa incidência de radiação solar, pode comprometer o potencial produtivo, principalmente nas áreas em florescimento e início da formação das vagens. A permanência dessas condições também aumenta o risco de abortamento floral e reduz a atividade dos agentes polinizadores, com reflexos sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a cultura mantém bom desenvolvimento e potencial produtivo, desde que as condições climáticas nas próximas semanas favoreçam a redução da umidade excessiva e o controle das doenças foliares e de caule.
Na região administrativa de Santa Maria, onde se concentram cerca de 17% das lavouras gaúchas, pouco mais de 80% das áreas permanecem em desenvolvimento vegetativo, 16% estão em floração e os primeiros cultivos iniciaram o enchimento de grãos.
Na regional de Bagé, 12% das lavouras entraram na fase inicial de floração, enquanto o restante segue em desenvolvimento vegetativo. A Emater/RS-Ascar destaca que as temperaturas amenas e o menor volume de chuvas acumulado na Fronteira Oeste favoreceram a cultura. Em São Gabriel, entretanto, as lavouras apresentam estande e desenvolvimento inferiores aos observados no ano passado. Dos 4 mil hectares cultivados no município, 20% estão em floração, e ainda há áreas baixas com solo saturado pela chuva intensa registrada na semana anterior.
Na região de Passo Fundo, 40% dos cultivos permanecem em desenvolvimento vegetativo e 60% já estão em floração, mantendo boa condição sanitária. Em Erechim, a distribuição é de 80% das áreas em desenvolvimento vegetativo e 20% em início de floração.
Em Frederico Westphalen, a Emater/RS-Ascar informa que o desenvolvimento da cultura é considerado satisfatório, sem problemas fitossanitários relevantes. As lavouras estão distribuídas entre 55% em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 15% em enchimento de grãos.
Na regional de Soledade, as fortes chuvas provocaram apenas danos localizados por erosão laminar. Cerca de 25% das áreas iniciaram a floração, com plantas apresentando boa estatura e sanidade. Nas lavouras implantadas mais tardiamente continuam o controle de plantas invasoras e a adubação nitrogenada em cobertura, enquanto na maior parte das áreas essas operações já foram concluídas. Também seguem as ações de monitoramento de doenças e da traça-das-crucíferas.
Já na região de Pelotas, a semeadura alcançou 95% da área prevista. Segundo a Emater/RS-Ascar, as chuvas impediram o avanço do plantio durante o período, mas as lavouras já implantadas apresentam desenvolvimento considerado normal.