RS: trigo perde espaço diante de riscos no campo
Custos elevados pressionam cultivo de trigo
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De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (14), a cultura do trigo no Rio Grande do Sul está em período de entressafra. Neste momento, os produtores realizam operações preparatórias para a implantação das lavouras, incluindo dessecação de plantas daninhas e manejo da cobertura vegetal do solo.
O cenário atual aponta para uma possível redução da área cultivada na próxima safra, influenciada principalmente pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes, pela maior restrição ao crédito rural, pela cautela na contratação de seguro agrícola e pela limitação da cobertura dos instrumentos de mitigação de risco, sobretudo em relação às perdas qualitativas do grão. Além disso, a previsão de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera amplia a percepção de risco produtivo e contribui para desestimular o plantio.
A estimativa da área que será cultivada na safra 2026 ainda está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, teve início o manejo das áreas destinadas à implantação da cultura, especialmente em locais com presença de plantas daninhas resistentes a herbicidas e necessidade de controle mais eficiente do azevém, cuja emergência ainda é considerada baixa. Em áreas antecedidas por plantas de cobertura, os técnicos observam condições adequadas de proteção do solo. Apesar disso, ainda não há definição sobre a área que será cultivada na próxima safra.
Na regional de Santa Rosa, a tendência também é de redução da área plantada, motivada pelas dificuldades de acesso ao crédito rural, pelas limitações do Proagro e pela menor expectativa de rentabilidade em comparação com outras atividades produtivas. Em Santo Antônio das Missões, a estimativa é de redução mínima de 30% da área cultivada em relação aos 21 mil hectares implantados na safra passada. Parte dos produtores deve optar pelo uso de mix de plantas de cobertura para manutenção das áreas e supressão de plantas daninhas.