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Safra de trigo deve encolher no RS

El Niño preocupa produtores


Foto: Canva

A semeadura do trigo começou no Rio Grande do Sul acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para os principais materiais cultivados no Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, o cenário da safra 2026 aponta para uma redução significativa da área plantada em comparação ao ciclo anterior.

As condições de tempo seco favoreceram os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. Em parte das regiões produtoras, porém, a baixa umidade do solo dificultou o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares para garantir melhores condições de germinação e emergência.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a perspectiva de redução da área cultivada está associada aos elevados custos de produção, à baixa atratividade econômica do cereal e ao aumento da percepção de risco produtivo diante da atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

Mesmo diante desse cenário, parte dos produtores tem antecipado a semeadura em áreas sem vínculo com financiamentos ou seguro rural. A estratégia busca posicionar as fases de florescimento e enchimento de grãos antes do período de maior intensidade das chuvas de primavera.

Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, na Fronteira Oeste, a semeadura avança lentamente, mesmo com a colheita da soja praticamente encerrada. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos adquiridos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações devido à baixa umidade do solo.

Em São Borja, aumentaram os relatos de desistência do cultivo do trigo. Conforme o boletim, a combinação entre previsão de El Niño intenso, custos elevados e maior rigor na classificação qualitativa dos grãos vem ampliando a migração para culturas alternativas, como canola, carinata, linhaça e painço.

Na Campanha, os produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparar o solo, já que a implantação das lavouras costuma ocorrer a partir do fim de junho.

Na região de Caxias do Sul, a semeadura ainda não começou. Na Serra, o plantio normalmente ocorre entre a segunda quinzena de junho e o início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração dos trabalhos acontece ao longo de julho. A expectativa é de retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Na regional de Frederico Westphalen, a estimativa inicial aponta redução próxima de 20% em relação à safra passada.

Em Ijuí, a semeadura já alcança cerca de 7% da área projetada. As sementes estão em fase de embebição, ainda sem emergência observada. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e pelas condições operacionais do solo. Também continuam os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas.

O boletim destaca ainda que empresas do setor de energia vêm estimulando o cultivo voltado à produção de etanol, em substituição ao trigo destinado à indústria alimentícia. A baixa procura por sementes fiscalizadas e crédito de custeio também tem ampliado o uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge 6% da área prevista e está concentrada em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de um inverno com menor intensidade de geadas também favorece a antecipação do plantio. A estimativa preliminar indica retração próxima de 30% da área cultivada em relação a 2025.

Já na região de Soledade, a previsão é de redução superior a 30% da área cultivada. Até o momento, cerca de 7% da área projetada já foi semeada.

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