Açúcar sobe, mas mercado vê recuperação limitada
O mercado segue condicionado pela atuação dos fundos
O vencimento maio de 2026 encerrou a sexta-feira a 13,92 centavos de dólar por libra-peso - Foto: Pixabay
O mercado internacional de açúcar teve uma reação moderada em Nova York, mas ainda opera sob pressão de fundamentos que limitam movimentos mais consistentes de alta. A avaliação é de Arnaldo Correa, consultor, em análise sobre o comportamento recente dos contratos futuros e dos agentes do mercado.
O vencimento maio de 2026 encerrou a sexta-feira a 13,92 centavos de dólar por libra-peso, com ganho acumulado de 59 pontos na semana, equivalente a cerca de 13 dólares por tonelada. Outros contratos também subiram, embora com menor intensidade nos vencimentos mais longos.
Apesar da melhora pontual, o mercado segue condicionado pela atuação dos fundos, que permaneciam vendidos em 156.138 lotes, segundo o relatório COT, com base na posição de 21 de abril. A recomposição parcial dessas posições chegou a dar suporte aos preços, mas encontrou forte volume de fixações por usinas, inclusive da América Central, o que reduziu o fôlego da recuperação.
No Brasil, a aprovação do E32, com aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%, aparece como fator de suporte. A expectativa é de consumo adicional entre 900 milhões e 1 bilhão de litros, o que pode influenciar o mix das usinas e reduzir a oferta de açúcar.
Por outro lado, a projeção de 635 milhões de toneladas de cana para o Centro-Sul, apresentada pela Canaplan, reforça a cautela. A combinação de safra robusta, vendas físicas e posição vendida dos fundos mantém o ambiente desafiador.
Do ponto de vista técnico, há tentativa de recuperação, com o maio de 2026 mirando a região dos 14 centavos por libra-peso. Ainda assim, o mercado parece depender de novos estímulos para transformar o alívio recente em tendência.