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Desigualdade oscila, mas estrutura resiste

Sem mudanças nesses fundamentos, a desigualdade tende menos a se reduzi


Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico concentrou, em geral, algo próximo de 25% a 30% da renda nacional Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico concentrou, em geral, algo próximo de 25% a 30% da renda nacional - Foto: Pixabay

A distribuição da renda no Brasil manteve uma estrutura concentrada ao longo de mais de duas décadas, com variações pontuais, mas sem alteração relevante na base do quadro. Os dados atribuídos à World Inequality Database, foram analisados por Reginaldo Nogueira, diretor executivo do Ibmec, que avalia que a permanência desse padrão aponta para limites mais profundos da economia brasileira.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico concentrou, em geral, algo próximo de 25% a 30% da renda nacional. Em alguns anos, a participação desse grupo avançou, como em 2012, quando chegou a 32,7%, e recuou em outros momentos, como em 2018, quando ficou em 24,7%. Ainda assim, o patamar permaneceu elevado em todo o período analisado. 

Na outra ponta, os 50% mais pobres seguiram com menos de 10% da renda na maior parte da série. O indicador ficou em 9,1% no início dos anos 2000, chegou a superar ligeiramente os 10% em alguns momentos entre 2007 e 2015, mas voltou a níveis próximos de 9% nos anos mais recentes. Em 2024, essa fatia representava 9,3% da renda. 

Para Nogueira, os números sugerem que a desigualdade não pode ser explicada apenas por falta de vontade política ou por ações de curto prazo. A avaliação é que o problema está ligado a pilares estruturais da economia, como educação fraca, crédito caro, baixa produtividade e informalidade. Esses fatores limitam o avanço da renda, reduzem a mobilidade econômica e restringem o crescimento dos salários. 

O análise também indica que a adoção de políticas públicas ao longo do período não foi suficiente para alterar de forma consistente a distribuição da renda. Na leitura do diretor executivo do Ibmec, houve gasto crescente e diferentes iniciativas, mas faltaram foco e capacidade real de transformação. Sem mudanças nesses fundamentos, a desigualdade tende menos a se reduzir de forma permanente e mais a oscilar dentro de uma mesma estrutura.

  

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