Tempestades elevam risco para canola no Rio Grande do Sul
Vento acima de 90 km/h preocupa produtores gaúchos
Foto: Pixabay
O Rio Grande do Sul permanece sob risco de tempestades com granizo e rajadas superiores a 90 km/h neste domingo (19), em um momento em que 6% da área de canola do estado já entrou em florescimento. A condição aumenta a exposição de flores, hastes e operações agrícolas, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, que seguem sob influência de chuva intensa até quarta-feira (22). Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial de ocorrência de granizo nem de danos em lavouras de canola relacionados a este episódio.
A maior parte da canola ainda está em desenvolvimento vegetativo, enquanto pequenas áreas já iniciaram o enchimento de grãos. Essa diferença de estágios altera o tipo de exposição da cultura: caso o granizo ocorra, folhas e hastes podem ser rasgadas, flores podem cair e síliquas jovens podem sofrer lesões. O excesso de água também tende a interromper atividades como adubação, controle de plantas daninhas e pulverizações, além de o vento dificultar aplicações seguras e aumentar o risco de deriva de produtos, principalmente em áreas com drenagem mais lenta.
Segundo informações do Meteored, o aviso de perigo para tempestades neste domingo abrange áreas de Ijuí, Santa Cruz do Sul e da Região Metropolitana de Porto Alegre. Outras partes do Rio Grande do Sul e o litoral sul de Santa Catarina permanecem sob perigo potencial. A previsão inclui chuva, descargas elétricas, vento forte e possibilidade de granizo, mas o alerta indica apenas condições favoráveis para os fenômenos e não confirma que eles tenham atingido lavouras.
Nas áreas de canola em fase vegetativa, um eventual impacto do granizo pode reduzir a área foliar responsável pela fotossíntese e provocar quebra de hastes ainda tenras. Já nos 6% em florescimento, a incidência direta sobre as flores pode comprometer a formação de síliquas, embora isso não represente automaticamente perda de produtividade. O resultado dependeria da intensidade da tempestade, do tamanho das pedras de gelo, da duração do evento e da área efetivamente atingida em municípios como Ijuí, Santa Rosa e Cruz Alta. Talhões protegidos pelo relevo podem apresentar respostas diferentes.
Entre segunda-feira (20) e quarta-feira (22), o transporte de umidade continuará alimentando as instabilidades no estado. A tendência mantém a possibilidade de novas rajadas e episódios de granizo, com os maiores volumes de chuva concentrados nas porções central e sul do Rio Grande do Sul, enquanto o extremo sul pode apresentar alívio gradual no fim do período. Santa Catarina e Paraná também devem manter atenção ao vento e à evolução das tempestades.
Com a previsão de novas pancadas e risco de encharcamento, o planejamento das atividades no campo precisará considerar as diferenças regionais. Durante trovoadas, a orientação é manter as equipes em locais seguros e retirar máquinas, animais e insumos de áreas baixas. Pulverizações devem respeitar a velocidade do vento, o intervalo sem chuva e as recomendações do produto; com rajadas entre 70 e 90 km/h, não há condição operacional segura. Em municípios como Santa Maria, São Borja e Santo Ângelo, canais de drenagem e acessos rurais exigem acompanhamento.
Caso as condições melhorem a partir de quarta-feira (22), a avaliação das lavouras deverá comparar áreas ainda vegetativas, os 6% em florescimento e os talhões já em enchimento de grãos. Folhas perfuradas, por si só, não comprovam perda de rendimento, assim como os volumes máximos previstos de chuva não devem ocorrer de forma uniforme em todo o estado.
Antes de reprogramar adubação ou medidas de proteção fitossanitária, o produtor deverá verificar o suporte do solo, registrar por talhão qualquer dano efetivamente observado e consultar assistência agronômica local para definir os próximos passos do manejo.