El Niño coloca agro gaúcho em alerta
Chuva intensa preocupa produtores gaúchos
Foto: NOAA
De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (21) pela Emater/RS-Ascar, os prognósticos consolidados para a atuação do fenôeno El Niño entre o fim do inverno e a primavera de 2026 acendem um alerta para o setor agropecuário do Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, os modelos climáticos apontam para excesso hídrico significativo, cenário que já influencia a expectativa de redução da área cultivada com grãos de inverno, especialmente trigo e cevada, além de elevar o risco de inundações em diferentes regiões do estado. “O momento é de planejamento e adoção de medidas conservacionistas”, destacou a Emater/RS-Ascar.
A entidade orienta que técnicos e produtores aproveitem o período atual para revisar e fortalecer práticas de conservação do solo e dos recursos hídricos. Conforme o informativo, medidas que aumentem a infiltração e a retenção de água no perfil do solo ajudam a reduzir o escoamento superficial e retardam a elevação abrupta dos cursos d’água, diminuindo os impactos de enchentes nas bacias hidrográficas. Ao mesmo tempo, essas práticas ampliam a capacidade de armazenamento de água para períodos de estiagem de curta duração.
O levantamento também destaca que sistemas de manejo conservacionista, como o plantio direto e a manutenção de cobertura vegetal permanente, podem triplicar a taxa de infiltração de água no solo em comparação aos sistemas convencionais. Solos com níveis adequados de matéria orgânica, segundo a Emater/RS-Ascar, têm capacidade de armazenar centenas de milhares de litros adicionais de água por hectare. O informativo ainda aponta a construção e recuperação de terraços, o cultivo em nível e o uso de mix de plantas de cobertura como estratégias importantes para reduzir perdas de solo e água e aumentar a estabilidade produtiva.
Na pecuária, a recomendação é para planejamento antecipado do manejo das áreas. Entre as medidas indicadas estão o ajuste da carga animal, a adequação do pastejo e a redução do trânsito excessivo de animais em locais mais suscetíveis ao encharcamento e à degradação do solo.
A Emater/RS-Ascar reafirmou que seguirá atuando junto aos produtores gaúchos no desenvolvimento de sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Segundo o órgão, iniciativas como o Programa Operação Terra Forte funcionam como instrumentos de apoio técnico para recuperação e manejo conservacionista dos solos. A entidade também ressaltou a importância de ferramentas de monitoramento climático, como o SIMAGRO, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, no suporte à tomada de decisões diante da intensificação da variabilidade climática.
O informativo conclui que a adoção de sistemas produtivos voltados à conservação do solo fortalece a resiliência da agropecuária e contribui para ampliar os processos de infiltração hídrica nas áreas de precipitação, reduzindo o escoamento superficial e os impactos hidrológicos negativos ao longo das bacias hidrográficas do estado.