Exportações do agro gaúcho sobem; confira os destaques
Agro exporta US$ 1,39 bilhões em julho
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As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul cresceram 13,1% em valor em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Os embarques somaram US$ 1,39 bilhão e 1,96 milhão de toneladas, com o complexo soja e a carne de frango entre os principais responsáveis pelo avanço.
O resultado mensal também mostrou crescimento de 21,7% no volume exportado, que passou de 1,61 milhão para 1,96 milhão de toneladas. Como a quantidade embarcada aumentou mais que o valor, o valor médio implícito por tonelada recuou cerca de 7%, indicando que a expansão ocorreu principalmente pelo aumento da escala física.
Segundo dados divulgados pela Farsul, o complexo soja, formado por grãos, óleo e farelo, foi o principal motor das exportações em julho. O segmento registrou alta de 67,7% em valor e de 44,8% em volume, impulsionado pela demanda chinesa por soja em grãos e pela procura indiana por óleos vegetais.
A carne de frango in natura também contribuiu para o resultado. Segundo dados divulgados pela Farsul, as exportações do produto cresceram 39,8% em valor e 25,5% em volume, em um movimento de recuperação após os desafios sanitários enfrentados pelo setor no ano anterior.
Na direção contrária, o fumo não manufaturado foi o principal fator de limitação do desempenho mensal. Segundo dados divulgados pela Farsul, o segmento enfrentou um mercado internacional mais abastecido e competitivo, com aumento da oferta de concorrentes, especialmente de países africanos.
A carne bovina também apresentou queda pontual em julho, influenciada pela aproximação do limite da cota chinesa e pelo redirecionamento de embarques. No acumulado do ano, porém, o produto mantém crescimento de 27,7%, segundo dados divulgados pela Farsul.
No total das exportações do Rio Grande do Sul, o Estado movimentou US$ 1,98 bilhão em julho. Desse montante, US$ 1,39 bilhão corresponderam a produtos do agronegócio, participação de 70,5% no valor exportado pelo Estado.
Em volume, os produtos do agronegócio responderam por 1,96 milhão de toneladas das 2,24 milhões de toneladas embarcadas pelo Rio Grande do Sul no mês. A participação chegou a 87,8% do volume total exportado.
A Ásia, exceto o Oriente Médio, permaneceu como principal destino do agronegócio gaúcho em julho, com US$ 714,2 milhões e 1,31 milhão de toneladas. A Europa ficou em segundo lugar, com US$ 310,7 milhões e 324,4 mil toneladas.
O Oriente Médio respondeu por US$ 99,8 milhões e 81,7 mil toneladas, enquanto a América do Norte somou US$ 84,6 milhões e 57,1 mil toneladas. A União Europeia, considerada isoladamente, recebeu US$ 269,8 milhões em produtos, equivalentes a 308 mil toneladas.
Entre os países, a China liderou as compras, com US$ 441,5 milhões, ou 31,7% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho em julho. Índia, Bélgica, Estados Unidos, Vietnã e Espanha apareceram na sequência.
Segundo dados divulgados pela Farsul, a China teve papel central nas exportações de soja em grãos, enquanto a Índia se destacou na compra de óleo de soja. A Bélgica permaneceu relevante para o fumo, embora tenha apresentado forte retração na comparação anual.
O Oriente Médio ganhou participação nas compras de proteínas animais e de alguns produtos florestais. Já os Estados Unidos registraram recuo expressivo nas aquisições de produtos do agronegócio gaúcho.
Em julho, as vendas do agronegócio gaúcho aos Estados Unidos somaram US$ 64,4 milhões, queda de 31,9% em valor e de 48,7% em volume frente a julho de 2025. Segundo dados divulgados pela Farsul, as principais perdas ocorreram em celulose, fumo não manufaturado, madeira serrada, gorduras e óleos de origem animal, calçados e outros produtos de madeira.
Parte dessas perdas foi compensada por sebo bovino e carnes bovinas. A análise sobre o impacto da guerra comercial, porém, exige cautela, porque a sobretaxa adicional de 25% decorrente da Seção 301 entrou em vigor somente em 22 de julho, enquanto a medida de 12,5% sobre trabalho forçado substituiu a tarifa temporária anterior no fim do mês.
Por isso, segundo dados divulgados pela Farsul, a retração registrada em julho não pode ser atribuída majoritariamente às novas tarifas. Os efeitos mais claros devem aparecer a partir de agosto, sobretudo em madeira, gorduras e óleos, calçados e móveis, enquanto carnes e a maior parte da celulose estão entre as exceções informadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as exportações do agronegócio gaúcho alcançaram US$ 8,24 bilhões, alta de 9,2% ante os US$ 7,55 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Farsul.
Em volume, os embarques cresceram 11%, passando de 11,45 milhões para 12,71 milhões de toneladas. As principais contribuições positivas vieram do complexo soja, das carnes, dos bovinos vivos, do milho e do arroz.
Em valores absolutos, os destaques foram soja em grãos, farelo, milho, óleo de soja, carne de frango e bovinos vivos. Fumo não manufaturado, trigo, celulose, couros preparados e calçados de couro, por outro lado, continuam limitando o resultado acumulado.
A composição dos destinos também mudou ao longo do ano. A China permanece como principal mercado, com 22% do valor acumulado, e voltou a apresentar crescimento em relação a 2025.
Mercados como Índia, Egito, Países Baixos, Turquia, Filipinas, França, México e diferentes destinos africanos ganharam participação. Em contrapartida, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Bélgica, Vietnã e Itália registraram perda de valor nas compras.
Por blocos, a África apresentou a maior expansão relativa no acumulado, enquanto América do Norte e Oriente Médio recuaram. Segundo dados divulgados pela Farsul, o desempenho de 2026 confirma uma pauta sustentada principalmente por soja e proteínas, mas ainda marcada pela diferença entre a expansão do complexo soja e a fraqueza persistente do fumo.