Geadas reduzem oferta de pastagens no RS
Geadas afetam qualidade das pastagens no Estado
Foto: Divulgação / UFRA Belém
As geadas registradas nas últimas semanas reduziram a capacidade de suporte das pastagens em diversas regiões do Rio Grande do Sul e afetaram principalmente áreas de maior altitude. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, as baixas temperaturas provocaram danos ao campo nativo, diminuíram a rebrota das forrageiras e reduziram a oferta de volumoso, cenário considerado típico para esta época do ano. Em contrapartida, produtores seguem investindo na sobressemeadura e no plantio direto de espécies de inverno, com destaque para azevém e aveia.
O levantamento aponta que áreas cultivadas com braquiária, tifton, capim capiaçu e kurumi praticamente interromperam o crescimento em razão do frio. As pastagens de verão também apresentaram redução no desenvolvimento, especialmente nas regiões mais elevadas. Conforme a Emater/RS-Ascar, os produtores mantêm estratégias como manejo rotativo, produção de feno e pré-secado, além da implantação de espécies forrageiras de inverno para garantir alimentação ao rebanho.
Na região administrativa de Bagé, as áreas de aveia apresentam sinais de estresse provocados pelas geadas e pela falta de chuva. Em algumas localidades, a ausência de precipitações por quase três semanas reduziu o crescimento das plantas e provocou amarelecimento das folhas. Em Hulha Negra, lavouras de trevo implantadas em maio registraram população abaixo do esperado devido à escassez hídrica. Já em áreas de várzea, o desenvolvimento dos trevos permanece adequado. Em Caçapava do Sul, áreas cultivadas com aveia e azevém já estão sendo utilizadas para pastejo, com resultados considerados positivos.
Nas regiões de Caxias do Sul, Passo Fundo e Soledade, as pastagens anuais de inverno apresentam desenvolvimento entre regular e bom, permitindo o início do pastejo em áreas mais avançadas. Em Erechim, as forrageiras de inverno tiveram boa germinação e estabelecimento, embora o crescimento esteja mais lento em algumas localidades devido aos baixos volumes de chuva acumulados.
Na região de Frederico Westphalen, o desenvolvimento das espécies de inverno segue dentro do esperado, enquanto a semeadura de trigo, aveia e azevém continua em andamento. Em Ijuí, a implantação das pastagens de inverno está em fase final e apresenta bom estabelecimento. Em algumas propriedades, a produção de massa verde já permite o uso das áreas para pastejo.
Na região de Pelotas, municípios como Pinheiro Machado, Jaguarão e Santana da Boa Vista registram oferta de pastagem nativa variando entre regular e satisfatória. Entretanto, em algumas áreas, as geadas causaram queimaduras que reduziram a qualidade das forrageiras. Em São Lourenço do Sul, foi observado aumento gradual do uso de pastagens cultivadas de inverno em substituição às áreas de verão e aos campos nativos.
Nas regiões de Porto Alegre e Santa Maria, poucas áreas de forrageiras de inverno estão aptas ao pastejo, já que a maioria ainda se encontra em fase de implantação ou desenvolvimento inicial. Diante da possibilidade de novas chuvas, produtores têm intensificado a sobressemeadura de azevém nos campos nativos para ampliar a oferta de alimento ao rebanho.
Em Santa Rosa, técnicos observaram a presença de pulgões e de manchas foliares em áreas de aveia. Apesar da redução das chuvas, a emergência do azevém em áreas de ressemeadura natural e de semeadura a lanço é considerada satisfatória. A região já conta com áreas aptas ao pastejo em cultivos de trigo para duplo propósito e em consórcios de aveia e azevém, enquanto os produtores seguem realizando a implantação escalonada das pastagens de inverno.