Mandioca: chuva atrasa plantio e muda ritmo da safra no RS
Mandioca tem unidade de referência com 17 variedades
Foto: Canva
O excesso de umidade no solo tem atrasado o plantio e afetado a colheita de mandioca em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (20), a dificuldade de preparo dos solos, o apodrecimento de raízes em áreas mal drenadas e o avanço das chuvas estão condicionando o ritmo das atividades, enquanto a comercialização segue em algumas localidades.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a implantação da cultura está atrasada devido à dificuldade de preparo dos solos provocada pelas condições de umidade.A colheita está em fase final, com produção um pouco inferior à registrada nos anos anteriores. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a elevada umidade do solo tem provocado o apodrecimento de raízes em áreas mais adensadas e com menor drenagem. Nessas áreas, os produtores aceleraram a colheita e mantêm parte da produção armazenada em câmaras frias nas propriedades.
A produção é destinada principalmente ao consumo próprio, mas alguns produtores também comercializam mandioca para terceiros. Parte das raízes é utilizada na alimentação de animais criados para consumo nas propriedades. A mandioca descascada e congelada é comercializada entre R$ 7,00 e R$ 10,00 por quilo.
Na região administrativa de Soledade, no Baixo Vale do Rio Pardo, o plantio da mandioca já começou. No entanto, o tempo chuvoso tem atrasado as operações, que devem ganhar intensidade em setembro.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, neste ano há abundância de manivas, resultado da baixa incidência de geadas. Com isso, o material propagativo manteve boa viabilidade para o plantio. A colheita também continua na região, enquanto a comercialização ocorre de forma intensa para mercados locais e para a Ceasa.
Na região administrativa de Lajeado, o cenário é semelhante. Em São José do Hortêncio, a colheita alcançou 80% da área total cultivada. O elevado volume de chuvas registrado nos últimos 30 dias vem retardando tanto o preparo do solo quanto o plantio da nova safra, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar. Na maior parte das áreas do município, a variedade Vassourinha é a principal escolha dos produtores devido à boa aceitação pelo mercado consumidor.
Na Ceasa/POA, a cotação média da mandioca está em R$ 35,00 por caixa de 18 quilos. Apesar das condições de umidade, não foram registrados prejuízos significativos na região no último mês.
São José do Hortêncio também conta com uma Unidade de Referência Tecnológica dedicada à cultura da mandioca. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a unidade reúne 17 variedades destinadas a ciclos de um e dois anos. O trabalho tem como objetivo avaliar materiais voltados tanto à alimentação animal quanto à alimentação humana. O cenário observado no Estado mostra que o excesso de chuvas é um dos principais fatores condicionando o calendário da mandioca neste momento. Enquanto a umidade dificulta o preparo dos solos e o plantio, áreas mais adensadas e menos drenadas enfrentam maior risco de apodrecimento das raízes.