Trigo: geada, granizo e doenças exigem atenção no RS
Veja onde o potencial produtivo foi afetado
Foto: Canva
As lavouras de trigo avançam em diferentes estágios no Rio Grande do Sul, favorecidas por períodos de tempo firme, maior radiação solar e reposição da umidade do solo. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (10), geadas, granizo e doenças provocam impactos pontuais, enquanto algumas regiões mantêm expectativa de bom potencial produtivo.
As condições ambientais foram favoráveis ao desenvolvimento do trigo na maior parte do Estado. A ocorrência de precipitações repôs a umidade do solo, enquanto os períodos de tempo firme permitiram a realização das operações de manejo.
O desenvolvimento, porém, varia entre as regiões em razão da época de implantação e das condições meteorológicas registradas durante o ciclo. Nas áreas implantadas mais cedo, principalmente no Oeste, 44% das lavouras estão em enchimento de grãos e 5% em maturação.
Nas áreas de implantação mais tardia, 12% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 39% em espigamento e floração. As ocorrências de geada e granizo provocaram danos pontuais, com intensidade diferente conforme o estádio fenológico e as condições locais.
Algumas lavouras ainda estão sendo avaliadas para verificar possíveis reflexos sobre o potencial produtivo. No quadro fitossanitário, há incidência de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela.
A floração exige atenção especial, principalmente nas áreas submetidas a condições meteorológicas favoráveis ao desenvolvimento de doenças. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a área projetada para a safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, onde o trigo é tradicionalmente implantado mais cedo, as primeiras lavouras estabelecidas em maio avançaram para estágios reprodutivos.
Em São Borja, cerca de 800 hectares, equivalentes a 5% da área, estão em maturação. Em Manoel Viana, as áreas mais adiantadas alcançaram o espigamento e a geada registrada não provocou impactos significativos. O tempo firme, associado à disponibilidade de radiação solar e à manutenção da umidade no solo, favoreceu o desenvolvimento e a evolução das lavouras.
Na Campanha, onde a implantação ocorre mais tarde, as lavouras ainda estão entre a elongação do colmo e o início da floração. Em Lavras do Sul, o potencial produtivo inicialmente estimado em 2.367 kg/ha foi comprometido pelo elevado volume de precipitações.
Desde o início de junho, o acumulado ultrapassou 700 mm no município, provocando perdas estimadas em 10% até o momento. Nas áreas de maior potencial produtivo e nível tecnológico, continuam as aplicações de fungicidas.
Na região de Caxias do Sul, a elevada nebulosidade e a baixa luminosidade, associadas às temperaturas reduzidas, retardaram o desenvolvimento das plantas. As lavouras estão predominantemente no final do perfilhamento e no início da elongação do colmo. Apesar das condições meteorológicas adversas, a expectativa de rendimento permanece considerada satisfatória na região.
Em Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 35% em florescimento, 50% em enchimento de grãos e 5% em maturação. A incidência de giberela é expressiva e tem levado à intensificação das aplicações de fungicidas.
Na região de Ijuí, 10% da área está em desenvolvimento vegetativo, 48% em floração, 33% em granação e 9% em maturação. Também foram registrados danos pontuais provocados por geada e granizo.
Segundo avaliação inicial, a geada provocou apenas sinais de queimadura nas plantas localizadas em pontos mais baixos do relevo, sem indicação de impactos expressivos. Já o granizo causou lesões em espiguetas, espigas e folhas, com maior intensidade em Três Passos, Ibirubá e Santa Bárbara do Sul. A quantificação das perdas ainda depende da evolução das lavouras nas próximas semanas.
Em Passo Fundo, 10% das lavouras estão em elongação do colmo, 40% em floração e 50% em enchimento de grãos. A adubação nitrogenada de cobertura foi concluída.
As operações de controle fitossanitário estão programadas conforme a disponibilidade de condições ambientais para acesso às áreas.
Na região de Pelotas, 45% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 55% em florescimento. A sequência de dias nublados, as chuvas frequentes e a baixa radiação solar durante agosto retardaram o desenvolvimento das plantas. A elevada umidade do solo também tem restringido a realização dos tratamentos preventivos contra doenças.
Na região de Santa Maria, em Tupanciretã, município de maior extensão regional de cultivo, 20% das lavouras estão em elongação, 60% em floração e 20% em enchimento de grãos.
A menor umidade e a reduzida incidência de doenças foliares contribuíram para a manutenção das condições fitossanitárias. Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas mantêm a necessidade de acompanhamento durante a floração.
A quantificação de eventuais perdas ainda não foi realizada.
Em Santa Rosa, 4% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, 61% em enchimento de grãos e 7% em maturação. As lavouras apresentam bom número de espiguetas por espiga e ausência de falhas de fecundação, mantendo potencial produtivo favorável.
O oídio continua como a doença de maior incidência na região, seguido por manchas foliares, ferrugem e giberela nas áreas mais avançadas.
Na região de Soledade, as temperaturas e a radiação solar favoreceram o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. A distribuição fenológica é de 5% em elongação do colmo, 50% em espigamento e floração e 45% em enchimento de grãos.
As lavouras apresentam, em geral, bom potencial produtivo, embora coexistam áreas de elevado padrão tecnológico e outras com nível tecnológico apenas razoável.
Os períodos de tempo firme permitiram a entrada de máquinas para aplicações de fungicidas, principalmente contra giberela, além de oídio, manchas foliares e ferrugens. O cenário mostra que o trigo gaúcho segue em diferentes ritmos de desenvolvimento, com parte das lavouras avançando para o enchimento de grãos e a maturação, enquanto áreas mais tardias ainda estão em floração.
Ao mesmo tempo, o acompanhamento das condições meteorológicas e fitossanitárias permanece necessário diante dos efeitos pontuais de geadas e granizo, da ocorrência de doenças e das diferenças de desenvolvimento entre as regiões produtoras.