Seminário debate pesquisas em genômica para café
Seminário destaca pesquisas e biotecnologia para melhorar cultivo do café
Foto: Divulgação
A Embrapa Café promoveu, na última quinta-feira (7/5), o 2º Seminário de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade. O evento destacou pesquisas em genômica, melhoramento genético, conservação de germoplasma e novas ferramentas biotecnológicas aplicadas ao café, com foco nos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Nesta edição do Seminário, foram feitas duas apresentações. O pesquisador Alan Andrade abordou o uso da edição genômica por CRISPR/Cas9 em café, explorando aplicações da tecnologia para o desenvolvimento de plantas mais tolerantes à seca, ao aumento das temperaturas e com características agronômicas de interesse, como redução do teor de cafeína.
Segundo o pesquisador, a técnica representa uma alternativa promissora para acelerar o melhoramento genético da cultura, sem inserção de DNA exógeno, em conformidade com a regulamentação brasileira vigente.
Ele também detalhou projetos conduzidos em parceria com instituições nacionais e internacionais envolvendo sequenciamento genômico, identificação de genes associados à tolerância ao estresse hídrico e desenvolvimento de protocolos de regeneração celular e transformação genética em café canéfora.
Outro tema debatido no seminário foi o uso de ferramentas genômicas em estudos de associação genética e diversidade do café arábica. O pesquisador Luiz Filipe destacou pesquisas relacionadas ao sequenciamento do genoma da espécie, à origem e dispersão do café no mundo e ao uso de materiais silvestres da Etiópia para ampliar a base genética das cultivares atuais.
Segundo ele, os estudos de associação genômica permitem identificar variantes ligadas a características agronômicas importantes, contribuindo para o desenvolvimento de novas cultivares mais produtivas e adaptadas às condições climáticas futuras.
Os participantes também discutiram a necessidade de fortalecer políticas de conservação de bancos genéticos e áreas experimentais de café. Os pesquisadores alertaram para a perda de materiais estratégicos ao longo dos anos e defenderam a criação de ações coordenadas para preservar coleções genéticas utilizadas em programas de melhoramento. A avaliação é de que a manutenção desses recursos é essencial para garantir inovação e sustentabilidade à cafeicultura brasileira nas próximas décadas.
Alan relatou a perda de clones de café anteriormente caracterizados em experimentos da Embrapa e afirmou que a preservação desses materiais precisa se tornar uma política institucional. Ele destacou que muitos genótipos valiosos deixaram de existir após mudanças de prioridade e eliminação de áreas experimentais.
Maurício Zacarias comparou o problema à realidade enfrentada em programas de pesquisa com milho, mencionando a redução de áreas experimentais e a substituição de campos de pesquisa por lavouras comerciais, o que compromete anos de trabalho em melhoramento genético.
Já Luiz Filipe lembrou da importância da variabilidade genética para o melhoramento do café arábica e para o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas às mudanças climáticas.
A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Café, Priscila Grynberg, reforçou a preocupação institucional com a conservação dos bancos de germoplasma. Ela assinalou que o tema já está em discussão na Unidade e mencionou a intenção de construir um plano de ação voltado à preservação e organização de coleções genéticas de café mantidas pela Embrapa.
A próxima edição do Seminário está prevista para 28/5, com o tema Caracterização ambiental, sensoriamento remoto e mitigação de riscos climáticos.