Genética aponta resistência ao clima extremo
O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista
O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista - Foto: Pixabay
Plantas adaptadas a ambientes extremos podem ajudar a esclarecer como espécies nativas reagem às alterações do clima. Em áreas de restinga e dunas, onde o solo é arenoso, seco e pobre em nutrientes, uma pesquisa identificou características genéticas que ajudam a explicar a resistência de uma orquídea brasileira a essas condições e que podem servir de referência para avaliar a vulnerabilidade de outras plantas.
O sequenciamento completo do genoma da orquídea-da-praia revelou mais de mil grupos de genes exclusivos ligados a características fisiológicas associadas à resposta a diferentes estressores ambientais. Segundo os pesquisadores, o diferencial está no grande número de cópias desses genes, o que amplia a variabilidade genética e pode tornar a reação ao estresse mais eficiente.
“O que torna a planta mais resistente a condições extremas é o grande número de cópias de cada um desses genes”, observa o biólogo Fábio Pinheiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coautor do artigo e orientador da bióloga Jacqueline Mattos, que elaborou o trabalho como parte de seu doutorado.
O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista. Após a leitura integral do genoma, a equipe conseguiu identificar esses grupos genéticos com apoio de técnicas avançadas de montagem, além da comparação com outras espécies vegetais usadas como referência para entender a estrutura do DNA.
Além de apontar mecanismos de tolerância climática, o genoma também trouxe pistas sobre a trajetória da espécie ao longo do tempo. A análise indica que ela surgiu há cerca de 10 milhões de anos, em um período mais seco da América do Sul, e que sua população foi encolhendo com o avanço de ambientes mais úmidos e da expansão das florestas. Hoje, a estimativa é de que reste apenas uma pequena fração da população original.