Ferrugem e oídio marcam fim da safra gaúcha de soja
Safra de soja entra na reta final no Estado
Foto: Pixabay
No Rio Grande do Sul, a colheita da soja está em fase de encerramento e já alcança 99% da área cultivada. Os dados constam no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, que aponta que as condições de tempo seco e a boa trafegabilidade das áreas favoreceram o avanço dos trabalhos e a conclusão da colheita na maior parte das regiões produtoras.
Segundo a entidade, restam apenas áreas de safrinha implantadas após o milho precoce e talhões semeados mais tardiamente, principalmente após o período de estiagem registrado no início do verão. Nessas lavouras, que estão finalizando o ciclo fisiológico, foram observadas perdas pontuais por debulha natural, especialmente em áreas de várzea e com limitações de drenagem.
A Emater/RS-Ascar destaca que as produtividades seguem bastante heterogêneas em razão das diferenças de época de semeadura, disponibilidade hídrica ao longo do ciclo e potencial produtivo das áreas implantadas mais tarde. Em regiões afetadas por déficits hídricos mais severos, sobretudo em solos rasos e arenosos, as perdas foram mais significativas.
Nas lavouras de segundo cultivo e safrinha, a menor disponibilidade de água, a redução do fotoperíodo e o menor porte das plantas contribuíram para a diminuição do potencial produtivo. Também foi registrado aumento na incidência de doenças foliares, como oídio e ferrugem-asiática, nas áreas que ainda permanecem em fase final de ciclo.
Com a colheita praticamente concluída, produtores já direcionam esforços para atividades de manejo pós-safra, incluindo aplicação de corretivos, recuperação de áreas com erosão e classificação de grãos destinados à armazenagem ou ao uso como semente própria.
Nas regiões administrativas de Caxias do Sul, Erechim, Lajeado, Passo Fundo e Soledade, a colheita já foi finalizada. Na região de Bagé, os trabalhos foram concluídos em municípios como Maçambará, Itacurubi, Barra do Quaraí e Uruguaiana. Em Manoel Viana, 99% dos 58 mil hectares cultivados já foram colhidos, enquanto em São Borja ainda restam áreas de safrinha equivalentes a cerca de 10% dos 105 mil hectares semeados.
Na Campanha, dos 378 mil hectares cultivados, 93% foram colhidos. Restam aproximadamente 26 mil hectares, compostos principalmente por áreas implantadas em janeiro e talhões replantados após as chuvas intensas registradas no fim de dezembro. Em Dom Pedrito, parte dos produtores optou por adiar a colheita durante períodos de maior nebulosidade para evitar descontos relacionados à umidade dos grãos. De acordo com o levantamento, as lavouras semeadas mais tardiamente apresentaram melhor desempenho produtivo, embora a maioria dos municípios deva encerrar a safra abaixo das projeções iniciais.
Na região de Frederico Westphalen, a colheita alcança 99% dos 434 mil hectares cultivados. As áreas remanescentes estão em maturação e devem ser colhidas nos próximos dias.
Em Ijuí, os trabalhos atingem 98% da área cultivada. A produtividade média regional é estimada em 3.024 quilos por hectare. O relatório registra redução do potencial produtivo nas áreas tardias e aumento da incidência de oídio e ferrugem-asiática.
Na região de Pelotas, 97% das lavouras foram colhidas, com produtividade média estimada em 2.800 quilos por hectare. Os baixos volumes de chuva registrados no período não comprometeram o acesso das máquinas às áreas de produção. Os 3% restantes seguem em fase de maturação.
Em Santa Maria, a colheita está praticamente encerrada, e a produtividade média regional é estimada em 2.900 quilos por hectare.
Já em Santa Rosa, 98% da área foi colhida, restando apenas 2% das lavouras em fase madura. O avanço da colheita das áreas de safrinha foi favorecido pela umidade adequada do solo, que permitiu o acesso de máquinas a áreas de baixada. Entretanto, parte dessas lavouras registrou perdas por debulha devido à permanência prolongada das plantas maduras no campo. As produtividades variam entre 900 e 4.200 quilos por hectare, refletindo diferenças de disponibilidade hídrica, época de implantação e adaptação das áreas de segundo cultivo.