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Trigo perde área, mas segue principal cereal do RS

Custos e crédito reduzem área de trigo gaúcha


Foto: Pixabay

O cultivo de trigo deverá registrar uma redução significativa de área no Rio Grande do Sul na safra 2026. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (25), a estimativa é de 814.220 hectares plantados, volume cerca de 30% inferior aos 1.166.163 hectares cultivados em 2025. Apesar da retração, o cereal segue como a principal cultura de inverno do Estado. A produtividade média projetada é de 2.701 quilos por hectare, com produção estimada em 2,2 milhões de toneladas.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a redução da área está associada à combinação de menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito e aumento da percepção de risco climático para a safra de inverno. O levantamento também aponta diminuição do nível tecnológico em parte das lavouras, com racionalização do uso de insumos e maior utilização de sementes salvas.

A semeadura avançou na maior parte das regiões produtoras e já alcança cerca de 70% da área projetada. A redução das chuvas nas últimas semanas favoreceu os trabalhos no campo, embora áreas com elevada umidade do solo ainda apresentem ritmo mais lento. As lavouras implantadas apresentam, de forma geral, bom estabelecimento, desenvolvimento vegetativo inicial satisfatório e emergência uniforme.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a estimativa é de 69.940 hectares cultivados, com produtividade projetada de 2.523 quilos por hectare. Na Fronteira Oeste, em Manoel Viana, a semeadura deverá ganhar ritmo após um início limitado pela falta de umidade no solo. Caso as projeções se confirmem, a área cultivada no município passará de 11 mil hectares na safra passada para 4,5 mil hectares em 2026. Em Maçambará, o plantio está praticamente concluído nos 5.640 hectares previstos, enquanto os produtores concentram esforços no controle de plantas daninhas. Na Campanha, o avanço segue lento em razão das baixas temperaturas e do excesso de umidade em áreas mais argilosas. Em Bagé, Hulha Negra e Caçapava do Sul, cerca de 10% da área prevista foi implantada.

Na região de Caxias do Sul, a projeção é de 32.285 hectares cultivados e produtividade de 3.697 quilos por hectare, a mais elevada entre as regionais da Emater. O trigo tem relevância principalmente nos municípios de maior altitude. Nos Campos de Cima da Serra, a semeadura deverá começar após a melhora das condições de umidade do solo.

Na regional de Erechim, são estimados 35.875 hectares cultivados, com produtividade projetada de 3.030 quilos por hectare. Mesmo diante das restrições de crédito e da maior percepção de risco climático para a safra de inverno, o trigo continua sendo uma cultura importante nos sistemas tradicionais de produção de grãos da região.

Na regional de Frederico Westphalen, a área estimada é de 102.020 hectares e a produtividade projetada é de 2.370 quilos por hectare. O plantio já alcança aproximadamente 90% da área prevista. As lavouras apresentam bom estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo satisfatório. A elevada nebulosidade observada recentemente reduziu parcialmente a incidência de radiação solar, limitando o crescimento das plantas. Os produtores realizam o controle de plantas daninhas e a aplicação de nitrogênio em cobertura.

Na regional de Ijuí, a estimativa é de 227 mil hectares cultivados, o que representa a maior área de trigo do Estado, equivalente a cerca de 30% do total. A produtividade projetada é de 2.645 quilos por hectare. Mais de 80% da área já foi semeada, indicando antecipação do plantio em relação à safra anterior. No entanto, o avanço recente ocorreu em ritmo mais lento devido à elevada umidade do solo, concentrando-se principalmente nos dias 16 e 17 de junho. As lavouras apresentam emergência uniforme e estande adequado de plantas. A redução dos preços dos fertilizantes nitrogenados também tende a favorecer o aumento das doses aplicadas em cobertura.

Na regional de Passo Fundo, a área estimada é de 78.130 hectares, com produtividade projetada de 3.154 quilos por hectare. A semeadura está concluída, e as lavouras se encontram nas fases de germinação e início do desenvolvimento vegetativo, apresentando evolução considerada satisfatória diante das condições climáticas atuais.

Na regional de Santa Maria, são estimados 49.925 hectares cultivados, com produtividade projetada de 2.852 quilos por hectare. A área representa uma redução de 36% em relação à safra anterior. Aproximadamente 80% da área prevista já foi semeada.

Na regional de Santa Rosa, a área projetada é de 179.430 hectares, a segunda maior do Estado, com produtividade estimada em 2.566 quilos por hectare. A semeadura alcança 74% da área prevista e as lavouras estão em desenvolvimento vegetativo. Nas áreas implantadas mais cedo, a adubação nitrogenada em cobertura foi realizada antes das chuvas registradas em meados de junho, favorecendo o aproveitamento do nutriente. O aumento da insolação contribuiu para o crescimento das plantas e para a melhora das condições fitossanitárias. Não foram observados registros significativos de pragas ou doenças.

Na regional de Soledade, a estimativa é de 30.575 hectares cultivados e produtividade de 2.658 quilos por hectare. A semeadura avança dentro do ritmo considerado normal para o período, alcançando cerca de 70% da área prevista. As lavouras apresentam bom estabelecimento e estande de plantas. Parte das áreas está nas fases de germinação, emergência e crescimento inicial, favorecidas pelos baixos volumes de chuva registrados nas últimas semanas.

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