Safra dos EUA amplia pressão sobre preços do milho
USDA eleva produção e estoques, ampliando a oferta mundial do cereal
Foto: Nadia Borges
O aumento das estimativas de produção e estoques de milho nos Estados Unidos pressionou os preços internacionais do cereal na semana encerrada em 15 de outubro. Na Bolsa de Chicago, a cotação do primeiro contrato negociado fechou a quinta-feira a US$ 4,78 por bushel, menor valor desde 20 de agosto. O movimento ocorreu após a divulgação de novos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Conforme análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o relatório de oferta e demanda apresentou uma safra norte-americana maior do que a esperada pelo mercado.
A produção de milho dos Estados Unidos foi estimada em 407,3 milhões de toneladas para a temporada 2026/27, aproximadamente 6 milhões de toneladas acima da previsão divulgada em setembro.
Os estoques finais norte-americanos também foram revisados para cima e chegaram a 47 milhões de toneladas, aumento de pouco mais de 6 milhões de toneladas em relação ao levantamento anterior. A expectativa de maior disponibilidade do cereal contribuiu para a queda dos preços negociados em Chicago.
No cenário mundial, a produção de milho foi projetada em 1,294 bilhão de toneladas, acréscimo de 3 milhões de toneladas sobre a estimativa de setembro. Os estoques finais globais, por sua vez, chegaram a 280,4 milhões de toneladas, crescimento de 8,3 milhões de toneladas.
Enquanto o mercado reagia às novas projeções, a colheita norte-americana avançava. Até 11 de outubro, os produtores haviam concluído os trabalhos em 33% da área cultivada, contra 23% na semana anterior. Apesar do progresso, o resultado permanecia abaixo da média histórica de 39%.
Em Iowa, um dos principais estados produtores de milho dos Estados Unidos, apenas 14% da área havia sido colhida, enquanto a média para o período era de 34%. Em Dakota do Sul, os trabalhos atingiram 15%, diante de uma média histórica de 31%.
O avanço da colheita foi maior em outros estados. Illinois registrou 51% da área colhida, superando a média de 44%, enquanto Missouri alcançou 64%, também acima do percentual histórico de 61%.
As condições das lavouras apresentaram melhora durante a semana. Segundo o USDA, 56% da área ainda acompanhada estava em condições boas ou excelentes, contra 54% na avaliação anterior. Outros 27% estavam em condições regulares, 12% ruins e 5% muito ruins.
No comércio exterior, os embarques de milho dos Estados Unidos somaram 1,3 milhão de toneladas na semana encerrada em 8 de outubro, dentro das expectativas do mercado. No acumulado do ano comercial, as vendas embarcadas chegaram a 8,45 milhões de toneladas, resultado 5% superior ao do mesmo período do ano passado.
Além dos Estados Unidos, a Argentina também ampliou sua presença no mercado internacional. A perspectiva de uma safra recorde e a redução dos impostos sobre exportações aumentaram a disponibilidade de milho argentino para comercialização externa.
O aumento da oferta nos dois países intensifica a concorrência internacional. Com mais produto disponível, compradores encontram alternativas de fornecimento, enquanto os países exportadores disputam espaço nos principais mercados consumidores.