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Trigo ganha ritmo, mas área deve encolher

Semeadura do trigo supera 70% em regiões do RS


Foto: Canva

A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, impulsionada pelas condições favoráveis do solo e pela expectativa de novas precipitações. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar, as lavouras já implantadas apresentam, de modo geral, germinação adequada, emergência uniforme e bom desenvolvimento inicial.

Apesar da evolução dos trabalhos no campo, a expectativa segue sendo de redução da área cultivada em comparação à safra anterior. Conforme a entidade, fatores como restrições de crédito, menor nível tecnológico empregado, custos elevados de produção e incertezas climáticas têm influenciado as decisões dos produtores. Também foi observada maior utilização de sementes salvas e redução dos investimentos em fertilização de base como forma de diminuir os custos de implantação.

Em algumas regiões do Estado, áreas inicialmente destinadas ao trigo poderão ser substituídas por culturas alternativas, plantas de cobertura ou atividades pecuárias. A estimativa oficial da área cultivada na safra 2026 ainda está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na temporada anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, alcançando produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção de 3,45 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Na região administrativa de Bagé, o avanço da semeadura ocorreu de forma desigual entre os municípios. Em Maçambará, os trabalhos permaneceram praticamente paralisados devido à baixa umidade do solo, atingindo pouco mais de 40% da área prevista. As primeiras lavouras apresentam bom estande de plantas e seguem recebendo aplicações para manejo de plantas daninhas em pré-plantio e pós-emergência.

Em Itacurubi, cerca de 30% dos 1.500 hectares projetados já foram semeados, favorecidos pelas chuvas registradas no final de maio. A Emater/RS-Ascar observa diminuição do interesse pela cultura na região, com parte dos produtores destinando áreas para pastagens voltadas à pecuária de corte ou para arrendamento.

Na região de Caxias do Sul, a semeadura começou de forma pontual nos municípios de menor altitude. Nos Campos de Cima da Serra, responsáveis por aproximadamente 90% da área regional de trigo, os trabalhos ainda não foram iniciados devido ao calendário mais tardio de implantação.

Na regional de Frederico Westphalen, a semeadura já alcança cerca de 80% da área prevista. As lavouras apresentam estabelecimento inicial satisfatório e desenvolvimento vegetativo considerado adequado. As condições de temperatura e umidade do solo seguem favorecendo o crescimento das plantas e o avanço dos trabalhos dentro da janela recomendada.

Na região de Ijuí, a semeadura ganhou ritmo nas últimas semanas, beneficiada pelas condições de solo mais seco e pela previsão de chuvas. As primeiras áreas implantadas encontram-se em emergência, formação das primeiras folhas e início do perfilhamento. Também seguem os trabalhos de dessecação e preparação das áreas. A expectativa é de redução próxima de 20% na área cultivada, cenário associado à menor disponibilidade de crédito e à redução dos investimentos tecnológicos. A entidade também registra aumento no uso de sementes salvas e crescimento dos contratos destinados à produção de trigo para etanol.

Na regional de Passo Fundo, a implantação já alcança aproximadamente 70% da área projetada. As lavouras encontram-se em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo inicial, apresentando evolução considerada satisfatória diante das condições climáticas observadas.

Em Santa Maria, a estimativa inicial aponta redução de até 36% na área cultivada em relação à safra anterior. Em Tupanciretã, principal município produtor da região, cerca de 40% dos 10,9 mil hectares projetados já foram implantados.

Na região de Santa Rosa, a semeadura atingiu aproximadamente 40% da área prevista. As condições de umidade do solo e a boa incidência solar favoreceram o desenvolvimento das lavouras já implantadas, que apresentam aumento da área foliar e melhora do aspecto visual. A expectativa também é de retração da área cultivada. Muitos produtores optaram pelo uso de sementes salvas, redução da aplicação de fertilizantes e menor investimento tecnológico para diminuir riscos econômicos. Em algumas propriedades foram registradas infestações de corós, exigindo medidas de controle. Há ainda relatos de que parte das áreas poderá ser destinada apenas à cobertura do solo caso o cenário para produção de grãos se torne menos favorável.

Na regional de Soledade, a área destinada ao trigo também deverá apresentar redução em comparação ao ciclo anterior. A semeadura alcança cerca de 20% da área projetada, favorecida pelas condições climáticas. As lavouras implantadas apresentam germinação adequada, desenvolvimento inicial satisfatório e emergência uniforme.

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