Minas Gerais investe R$ 3 milhões contra greening
Minas investe em IA para combater greening e impulsionar citricultura
Foto: Pixabay
A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais informou que o Governo de Minas, por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária, firmou nesta quinta-feira (14/5) um convênio com a Universidade Federal de Viçosa para investimento superior a R$ 3 milhões no projeto Citros Guard 4.0. A assinatura ocorreu durante a programação do Governo Presente, em Viçosa.
O projeto prevê o uso de inteligência artificial para monitoramento e gestão fitossanitária da citricultura mineira, com foco inicial no combate ao greening, considerado a principal doença da citricultura no mundo. A proposta busca ampliar o controle sanitário das lavouras e fortalecer a produção estadual de citros.
Segundo dados apresentados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Minas Gerais produziu mais de 1,2 milhão de toneladas de citros em 2024, entre laranja, tangerina e limão, consolidando-se como o segundo maior produtor do país. O governador Mateus Simões destacou o potencial de expansão do setor no estado. "Estamos nos preparando para nos transformar no maior produtor de cítricos do país. E isso depende essencialmente desses estudos, porque o maior produtor pode perder a posição por causa de uma doença, o greening, que é exatamente o foco dessa pesquisa e do trabalho de monitoramento que está sendo financiado", afirmou Mateus Simões.
O governador também ressaltou o impacto econômico da atividade para Minas Gerais. "A lavoura da laranja tem alto valor agregado, ela consegue trazer muito mais renda para quem planta e ela permite a presença de pequenos e médios proprietários, o que em outros setores, de agricultura industrial, seria praticamente impossível", completou.
O secretário de Agricultura de Minas Gerais, Thales Fernandes, afirmou que o avanço do greening tem provocado impactos na produção de citros no Brasil e em outros países. "Dados mostram que, no ano passado, o Triângulo Mineiro produziu mais laranja do que a Flórida. Esse investimento é muito importante neste momento porque o monitoramento do greening, com o uso de inteligência artificial, vai nos permitir avançar no controle da doença. Após a implementação desse instrumento que estamos assinando hoje, teremos condições de alcançar um crescimento de, no mínimo, 15% da citricultura mineira”, declarou.
Os recursos para o projeto fazem parte das ações viabilizadas pelo Acordo de Reparação relacionado ao rompimento das barragens da Vale S.A., em Brumadinho. O acordo foi firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública de Minas Gerais. O rompimento da barragem ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e deixou 272 mortos.
Atualmente, Minas Gerais registra ocorrências de greening em 92 municípios. Segundo o levantamento apresentado, as regiões dos Vales do Rio Doce e Jequitinhonha, além do Noroeste e Norte de Minas, ainda não possuem registros da doença.
O projeto Citros Guard 4.0 reúne a demanda do Instituto Mineiro de Agropecuária por soluções voltadas à defesa fitossanitária e a atuação da Universidade Federal de Viçosa em pesquisas aplicadas ao agronegócio. O convênio inclui estudos sobre produção de mudas, uso de pesticidas, ecotoxicologia e aprimoramento de procedimentos ligados ao setor citrícola.