Uruguai sai na frente no mercado de arroz?
O desempenho uruguaio foi atribuído à capacidade do país
O desempenho uruguaio foi atribuído à capacidade do país - Foto: Divulgação
A abertura de uma cota de arroz sem tarifas para o mercado europeu começa a redesenhar parte das oportunidades comerciais para os países do Mercosul em 2026. Embora o volume disponível ainda seja considerado limitado diante do total normalmente exportado pelo bloco, a medida é vista como um avanço para melhorar a rentabilidade das vendas externas e fortalecer a presença regional em um mercado de maior valor agregado.
Segundo informações analisadas por Cleiton Evandro dos Santos, analista do mercado de arroz, o Uruguai absorveu 63% da cota inicial de arroz isenta de tarifas concedida pela União Europeia ao Mercosul, dentro do acordo comercial entre os blocos. O desempenho uruguaio foi atribuído à capacidade do país de responder rapidamente à abertura da quota e ao histórico de comércio já consolidado com compradores europeus.
A subsecretária de Relações Exteriores do Uruguai, Valeria Csukasi, avaliou que esse vínculo prévio com a Europa permitiu ao país aproveitar a oportunidade em ritmo mais acelerado. A isenção tarifária tende a ampliar a retenção de receitas nas operações, o que pode contribuir para investimentos no setor e para a manutenção de empregos ligados à cadeia arrozeira.
Apesar do resultado positivo para o Uruguai, as cotas seguem pequenas quando comparadas ao volume de arroz que o Mercosul costuma direcionar ao mercado internacional. A divisão das quotas entre os países do bloco ainda não tem consenso, o que mantém em aberto a forma como os benefícios serão distribuídos nas próximas etapas do acordo.
O setor arrozeiro uruguaio teve participação considerada decisiva na negociação da cota junto à União Europeia. Entre produtores, a avaliação é de que o impacto financeiro imediato ainda será restrito, mas que os efeitos podem se tornar mais relevantes no médio e longo prazo, especialmente se o acesso ao mercado europeu for ampliado. A Argentina ficou com perto de 40% das cotas restantes, reforçando a disputa regional pelo espaço aberto pelo acordo.