Custos do leite sobem 2,69% no Rio Grande do Sul
Oriente Médio impacta a produção de leite no estado
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O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) fechou abril com alta de 2,69%, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (29) pela equipe econômica da Farsul. O resultado confirma a pressão inflacionária sobre os custos de produção da atividade leiteira no Estado.
De acordo com a análise, os aumentos foram influenciados principalmente pelo cenário geopolítico no Oriente Médio e pelas interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, fatores que impactaram diretamente os preços de combustíveis, fertilizantes e energia elétrica.
O relatório aponta que os custos com energia registraram aumento de 30,6%, enquanto os combustíveis tiveram alta de 6,9%. Já os grãos permaneceram em patamares recuperados ou apresentaram leve recuo.
No acumulado de 2026, o índice passou a registrar inflação de 1,06%, revertendo a tendência deflacionária observada anteriormente. Segundo a Farsul, o movimento acompanhou a dinâmica observada no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas, que acumulou alta de 0,77% no mesmo período.
Apesar da elevação nos custos de produção, o cenário segue desfavorável para os produtores de leite. Conforme o relatório, o preço pago ao produtor também recuou, mas em ritmo superior à redução parcial dos custos, registrando queda de 10%.
A análise destaca que “a retração do preço do leite superou o intervalo proporcionado pela queda parcial dos custos, resultando em correção das margens operacionais e orientações das relações de troca da atividade”.
Para maio, a expectativa da equipe econômica da Farsul é de manutenção de inflação moderada no índice. A estabilização recente dos combustíveis e a valorização cambial podem limitar a pressão de custos no curto prazo. No entanto, o segmento de fertilizantes segue em alta devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz para o abastecimento global de produtos nitrogenados.
O relatório também aponta que a recente valorização do milho pode ampliar a pressão sobre os custos ligados à alimentação animal nas próximas semanas.