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Rio Grande do Sul avança em ranking internacional e consolida novo estágio na política estadual de gestão climática

RS sobe no CDP com políticas e ações de gestão climática estruturada


Foto: Pixabay

O Rio Grande do Sul avançou na agenda climática ao alcançar a nota B na avaliação do Carbon Disclosure Project (CDP), uma das principais plataformas internacionais de monitoramento da gestão climática. O resultado representa um salto expressivo em relação a 2023, quando o Estado havia recebido nota D, e indica a transição de um estágio inicial de divulgação de dados para um nível de gestão estruturada – com políticas, metas e ações efetivas.

A coordenação das ações é realizada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), por meio da Assessoria do Clima. Esta é responsável pela consolidação de dados, elaboração de inventários, definição de metas e ampliação da transparência das informações climáticas.

A nota B correspondente ao nível de “Gestão”. Indica que o Estado já implementa políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, realiza análises de risco e estrutura sua governança de forma integrada, com foco no aumento da resiliência dos territórios.

O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que avalia a maturidade da gestão climática de governos subnacionais. A plataforma mede como Estados, regiões e cidades compreendem, monitoram e gerenciam seus impactos climáticos, com base em uma metodologia pública, padronizada e comparável globalmente. Os dados do CDP são amplamente utilizados por bancos de desenvolvimento, fundos internacionais, organismos multilaterais e redes globais de cooperação climática.

Para a titular da Sema, Marjorie Kauffmann, o resultado reflete o fortalecimento da governança climática do Estado. “Esse avanço se concretiza em dados e ações efetivas, como o inventário de emissões divulgado recentemente que demonstra uma redução significativa das emissões no Rio Grande do Sul, além da implementação de planos e metas estruturados, parcerias internacionais e uma maior integração das políticas climáticas entre os órgãos estaduais”, destaca.

Consolidação da política climática

O avanço para a nota B confirma um novo estágio da política climática estadual, marcado pelo fortalecimento do planejamento, pela gestão baseada em evidências e pela implementação de ações estruturadas.

Entre os fatores que contribuíram para a melhora da pontuação estão a consolidação da Assessoria do Clima da Sema e a publicação do Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa e de diagnósticos setoriais. No campo do planejamento, destaca-se o Roadmap Climático, uma das estratégias do Proclima 2050 – que mapeou vulnerabilidades, demandas e prioridades climáticas dos municípios do RS.

Outro avanço relevante são os Roteiros de Descarbonização das Cadeias Produtivas, elaborados em parceria com o setor produtivo. Os estudos analisam cinco cadeias estratégicas do Estado (soja, arroz, pecuária bovina de corte e leite, silvicultura e petroquímica) e projetam cenários de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2050. As modelagens indicam que a cadeia da soja pode atingir a neutralidade de emissões até 2045, enquanto a pecuária e o arroz podem reduzir, respectivamente, 72,8% e 76,1% de suas emissões até meados do século.

“O resultado evidencia a consolidação de uma política climática madura, baseada em dados, planejamento e ações concretas, com reconhecimento internacional. Avançar de D para B demonstra que o Rio Grande do Sul não apenas reporta informações, mas já executa políticas climáticas consistentes, fortalecendo a credibilidade institucional e ampliando oportunidades de cooperação e captação de recursos”, afirma a coordenadora da Assessoria do Clima, Daniela de Lara.

Trajetória no ranking

O ciclo de avaliações do CDP começou em 2022, com a adesão do RS ao Acordo de Cooperação. Em 2023, o Estado recebeu nota D (nível “Divulgação”), sendo classificado como capaz de identificar impactos climáticos e reconhecer lacunas de informação. Em 2024, avançou para a nota C (nível “Conscientização”), demonstrando capacidade de compreender, medir e reportar os efeitos das mudanças climáticas.

Já no final de 2025, no levantamento mais recente, alcançou a nota B (nível “Gestão”). A Sema já trabalha na qualificação das informações e no aprimoramento das políticas para atingir a nota A (nível “Liderança”), que reconhece governos que adotam práticas avançadas, alinhadas à ciência climática e a padrões internacionais.

Importância estratégica do resultado

Do ponto de vista estratégico, a avaliação positiva fortalece a imagem internacional do Estado e amplia o acesso a financiamento climático e cooperação técnica. Os dados são utilizados por bancos multilaterais, fundos internacionais de financiamento climático, agências de cooperação e organismos internacionais para avaliar transparência, capacidade de gestão e nível de preparo dos governos frente aos riscos climáticos.

Além disso, o avanço reforça a atuação do RS em redes globais como a Under2 Coalition, o Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade e a Regions4, que impulsionam ações em prol das mudanças climáticas, da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável. O Estado se consolida, assim, como referência subnacional.

Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom SemaEdição: Felipe Borges/Secom

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